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Dodge pede prazo de mais 60 dias para investigação sobre Aécio

Investigação apura se campanha do tucano à Presidência, em 2014, recebeu ilicitamente R$ 3 milhões da Odebrecht por meio de contratos fictícios

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, solicitou ao ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), a prorrogação do inquérito que investiga o senador Aécio Neves (PSDB-MG) por suposto recebimento de valores indevidos da Odebrecht em sua campanha eleitoral em 2014. O parecer de Raquel Dodge pede mais 60 dias para a conclusão da apuração.

De acordo com delatores da empreiteira, pagamentos que totalizaram 3 milhões de reais foram feitos de forma dissimulada por meio de contratos fictícios firmados com a empresa PVR Propaganda e Marketing Ltda, do marqueteiro Paulo Vasconcelos, responsável pela comunicação política da campanha presidencial de Aécio naquele ano.

Na manifestação a Gilmar, Dodge considera que existem diligências pendentes e necessárias ao encerramento das investigações, como a realização de uma perícia no documento original do contrato firmado entre a Construtora Norberto Odebrecht e a PVR com a data retroativa de 15 de janeiro de 2014.

“A perícia deverá analisar os dados referentes à data de criação/modificação dos arquivos (metadados), entre outras informações que possam comprovar que o contrato foi elaborado em data posterior apenas para ‘cobrir’ pagamento de propina ao senador Aécio Neves”, escreveu a chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Raquel Dodge também se manifestou contra o pedido de arquivamento e o pedido de declínio de competência, ambos feitos pela defesa de Aécio Neves.

O tucano, que trocará o Senado pela Câmara dos Deputados em 2019, nega as acusações dos delatores. O advogado Alberto Zacharias Toron, que defende Aécio, afirma que o inquérito segue o ritmo normal e o “aprofundamento das investigações vai comprovar a absoluta correção de todos os atos do senador Aécio Neves, assim como da prestação de contas da campanha presidencial de 2014”.