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Delegado, inspetores e advogados são presos acusados de extorsão

Grupo de combate ao crime organizado do Ministério Público do Rio denuncia grupo que cobrava propina de comerciantes no norte fluminense. É o segundo caso em uma semana

De acordo com a denúncia oferecida pelo Gaeco, o grupo tinha entre suas vítimas comerciantes dos municípios de Italva e Cardoso Moreira. Os advogados teriam na quadrilha a função de intermediar negociações e de arrecadar o dinheiro pago pelos comerciantes

Pela segunda vez, em 15 dias, uma ação do Ministério Público do Rio resultou na prisão de policiais civis que usavam suas funções – e a própria delegacia em que trabalhavam – para crimes de extorsão. Na manhã desta segunda-feira foram denunciados, em Italva, no norte fluminense, um delegado, três inspetores de polícia e dois advogados, acusados de extorquir valores de comerciantes da região e de São João da Barra. Na semana passada, dois policiais foram acusados de sequestro em Cabo Frio, na Região dos Lagos.

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A investigação é do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público do Rio de Janeiro, em conjunto com a Subsecretaria de Inteligência (SSINTE) e com a Corregedoria Geral Unificada (CGU) da Secretaria de Segurança do estado. Foram presos, com mandados expedidos pela Justiça o delegado Carlos Alberto de Andrade Souza, titular da 148ª DP (Italva), os inspetores Luís Carlos de Castro Gandra e Ivanildo Ribeiro de Souza e o advogado Genílson de Sousa Leite. São considerados foragidos o inspetor Pedro da Silva Gonçalves e o advogado Welbert Cardoso Rosa.

Os mandados de prisão foram cumpridos na própria delegacia de Italva – daí o nome da ‘Operação 148’ – e nas casas dos acusados. De acordo com a denúncia oferecida pelo Gaeco, o grupo tinha entre suas vítimas comerciantes dos municípios de Italva e Cardoso Moreira. Os advogados teriam na quadrilha a função de intermediar negociações e de arrecadar o dinheiro pago pelos comerciantes.

De acordo com o MP, cinco crimes de extorsão foram registrados nos meses de junho e julho. No entanto, os delitos, acreditam os promotores, podem ter começado bem antes, quando o delegado Carlos Alberto e sua equipe atuavam na cidade de São João da Barra, na 145ª DP.

Para cumprir os mandados prisão e de busca e apreensão foram mobilizados 42 policiais, cinco delegados de polícia e homens da CGU, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Coinpol (Corregedoria Interna da Polícia Civil) e promotores de Campos, no norte fluminense.

Os nomes das vítimas e os estabelecimentos que foram alvos do grupo não foram revelados pelo MP. Na semana passada, o Gaeco denunciou e obteve a prisão de dois policiais civis em Cabo Frio que mantiveram uma vítima em cativeiro na delegacia da cidade, exigindo resgate de 10 mil reais.

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