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Ciro Gomes: candidato do PDT alimenta esperança pela ‘terceira via’

Em terceiro nas pesquisas, ex-ministro quer se vender como alguém 'que não é petista nem antipetista' para furar bloqueio de Haddad e Bolsonaro

Por Guilherme Venaglia 7 out 2018, 00h52

Esta não será a primeira nem a segunda vez que o nome do cearense Ciro Ferreira Gomes, de 60 anos, estará nas urnas como candidato à Presidência da República. Terceiro colocado em 1998 e quarto em 2002, ele se esforçou para não ser mais visto como o político explosivo e verborrágico que há dezesseis anos chegou a disputar a liderança das pesquisas, mas despencou após uma sequência de trapalhadas e crises de nervos.

Nesta década e meia, Ciro Gomes foi ministro da Integração Nacional (no governo Lula), deputado federal e palestrante no Brasil e no exterior, além de ter fortalecido seu domínio na política local do Ceará, estado que, nas últimas três eleições, conferiu dois mandatos de governador a seu irmão Cid e outro a um afilhado político, o governador Camilo Santana (PT). Ele ainda mudou três vezes de partido: passou para o PSB em 2003 e para o Pros em 2013, até chegar em 2015 ao PDT, partido que embarcou em suas aspirações presidenciais.

Se em 2002 sua trajetória durante a campanha foi de oscilação, neste ano ela tem sido rigorosamente constante – até demais. Se manteve na faixa de 10% a 15% das intenções de voto, firme mesmo com o crescimento de Jair Bolsonaro (PSL) e a entrada de Fernando Haddad (PT) na disputa. Agora, seu desafio é mostrar que pode ir além disso.

Para chegar lá, tenta se apresentar como a “terceira via”, uma opção que ao mesmo tempo sirva para “quem vota no PT contra o Bolsonaro” e para “quem vota no Bolsonaro contra o PT”. No horário eleitoral, diz que não é “petista e nem antipetista”. Se conseguir, este será um feito inédito: desde 1994, a polarização entre candidatos à direita e à esquerda ocupa o imaginário do eleitor brasileiro, mesmo que, neste ano, o PSDB tenha perdido o reinado entre os antipetistas para Bolsonaro.

Para se vender aos extremos, Ciro aposta nas pesquisas de opinião e em uma trajetória marcada sem grande radicalismos. Com frequência, cita números de institutos para dizer a um lado que é ele o mais capaz para vencer o outro, já que as projeções para um segundo turno entre o candidato do PSL e Haddad mostra os líderes empatados tecnicamente nas simulações dos principais institutos. Resta saber se seus argumentos serão fortes o bastante para provocar uma onda – “o tsunami Ciro”, como seus apoiadores dizem nas redes sociais – que o permita superar Haddad na reta final e chegar ao segundo turno.

Nas últimas pesquisas, divulgadas neste sábado (6), Ciro continua distante do petista. No Datafolha, ele tem 15% dos votos válidos contra 25% de Haddad – Bolsonaro lidera com 40%. Já no levantamento do Ibope, ele aparece com 13%, enquanto Haddad tem os mesmos 25% – Bolsonaro lidera com 41%.

Nas simulações de segundo turno, ele realmente aparece como o candidato que daria mais trabalho a Bolsonaro: no Ibope aparece com 45% contra 41% do capitão do Exército (empatados dentro da margem de erro), enquanto no Datafolha ele tem 47% contra 43% do rival.

 

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