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Caminhoneiros voltam a fechar Anchieta; governo tenta negociar com a categoria

Bloqueio na manhã desta quarta durou 30 minutos e ainda provoca reflexos no trânsito da região. Preocupado, Planalto abre canal para dialogar com o setor

Caminhoneiros voltaram nesta quarta-feira a fechar a Rodovia Anchieta, via de acesso ao litoral paulista, como parte da série de protestos da categoria. A interdição, na altura do quilômetro 23, em São Bernardo do Campo, durou cerca de 30 minutos e ainda provoca reflexo no trânsito, segundo a concessionária que administra a rodovia. Os protestos avançam pelas rodovias do país e já atingem doze Estados. Preocupado com os reflexos políticos do movimento, que já provoca desabastecimento em diversas regiões do país, o Palácio do Planalto abrirá nesta quarta um canal de negociação com a categoria. A redução do preço do óleo diesel, no entanto, não está em pauta, segundo o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Miguel Rossetto. A questão é uma das principais reivindicações dos caminhoneiros.

A mesa de negociação que o governo instalará nesta quarta reunirá caminhoneiros e grandes empresas para discutir melhorias nos valores dos fretes de carga rodoviária no país. Esta foi a saída encontrada pelo Palácio do Planalto para pôr fim à paralisação. A categoria reivindica melhores pagamentos pelo transporte, além da redução no valor do diesel.

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Segundo Rossetto, a posição do governo é de estímulo a uma negociação direta entre os dois lados, com o objetivo de respeitar as reivindicações, mas evitar a obstrução das estradas. O ministro se reuniu na segunda e na terça-feira com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, e dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, além do Advogado-Geral da União, Luís Inácio Adams.

Transtornos – Além de afetar a produção de aves e suínos, a paralisação dos caminhoneiros provoca falta de produtos nos supermercados do norte e do noroeste do Paraná e oeste de Santa Catarina, as regiões mais prejudicadas pelo bloqueio das estradas. Também reduziu a oferta de frutas no maior entreposto de alimentos in natura do País, a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), na capital paulista.

Pães industrializados, verduras, tomate e leite de saquinho (in natura) foram os primeiros itens que desapareceram das prateleiras de supermercados do norte do Paraná, conta o presidente da associação regional do setor, Maurício Bendixen. A região reúne 256 lojas espalhadas por doze municípios, entre os quais estão Maringá, Apucarana, Cianorte, por exemplo.

Em São Paulo, os produtos in natura que sofrem com o bloqueio das estradas, por enquanto, são as frutas produzidas em outros Estados. Já as verduras são cultivadas em áreas próximas da capital, o chamado cinturão verde. Neste caso, o escoamento da produção pode ser feito por rotas alternativas, fora das áreas bloqueadas.

Um levantamento da Ceagesp mostra uma queda de 10% na entrada de frutas produzidas no Sul do país, como melancia, maçã, pera e ameixa. Parte da carga dessas frutas, produzidas nos Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, não conseguiu vencer o bloqueio das rodovias e chegar à Ceagesp.

(Com Agência Brasil e Estadão Conteúdo)