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Bolsonaro insiste na transferência total da embaixada para Jerusalém

Presidente diz que palestinos têm 'direito de reagir', ao comentar sobre decisão de Ramalah de convocar embaixador no Brasil

Por Julia Braun, de Jerusalém - Atualizado em 1 abr 2019, 12h05 - Publicado em 1 abr 2019, 09h28

O presidente Jair Bolsonaro reafirmou nesta segunda-feira, 1, sua intenção de transferir integralmente a embaixada brasileira em Israel de Tel Aviv para Jerusalém e disse que a “autonomia” do Brasil para definir onde instalar sua representação diplomática deve ser respeitada.

Sua manifestação deu-se depois da reação contundente da Autoridade Palestina à decisão de Bolsonaro, expressa no domingo, de mudar parte da embaixada para Jerusalém, com a instalação na cidade sagrada de um escritório para o comércio, a ciência e tecnologia e a inovação na cidade sagrada.

A iniciativa foi recebida pelo primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, como um “primeiro passo” para a definitiva transferência. O anúncio terá repercussão nas eleições de 9 de abril, nas quais ele disputa um novo mandato.

“Se eu fosse abrir negociações com Israel agora, eu botaria a embaixada onde? Seria em Jerusalém”, afirmou. “Eu não quero ofender ninguém. Agora, eu quero que respeitem a nossa autonomia”, disse. “Eu tenho um compromisso, mas meu mandato vai até 2022. A gente tem que fazer as coisas devagar, com calma.”

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Questionado sobre a decisão da Palestina de convocar seu embaixador no Brasil após o anúncio da abertura de um novo escritório em Jerusalém, Bolsonaro afirmou ser “direito deles reclamar”. No domingo, o chanceler da Autoridade Palestina, Riad Malki, declarou que a decisão brasileira é uma “violação flagrante” contra os direitos dos palestinos.

“(A abertura da representação) é uma violação flagrante ao povo palestino e seus direitos, bem como uma aprovação à pressão americana e israelense”, afirmou Malki, segundo a agência palestina de notícias Wafa.

Malki disse que a medida tem como objetivo “perpetuar a ocupação, as atividades de assentamentos e a anexação da parte ocupada de Jerusalém”, além de “impor à força” a lei israelense na região.

A transferência da embaixada brasileira foi uma promessa de campanha de Bolsonaro, claramente destinada a agradar o eleitorado e seus aliados evangélicos. Uma vez empossado, ele reiterou seu objetivo de cumpri-la. Mas houve resistências dentro do próprio governo.

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A ala econômica chamou a atenção para retaliações econômico-comerciais de países muçulmanos e de aliados da causa palestina, que se materializaram nas barreiras sanitárias impostas pela Arábia Saudita sobre as importações de carne de aves do Brasil. Os ministros militares e o próprio vice-presidente Hamilton Mourão chamaram a atenção para a possível ação de extremistas islâmicos no Brasil, como represália.

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