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Bolsonaro decide transferir parte da embaixada em Israel para Jerusalém

Presidente brasileiro confessa que solução salomônica partiu do general Augusto Heleno

O governo de Jair Bolsonaro decidiu estabelecer um escritório em Jerusalém para a promoção do comércio, investimento, tecnologia e inovação. Trata-se de uma parte já existente na embaixada brasileira em Tel Aviv, que permanecerá oficialmente nesta cidade. Com a medida, anunciada neste domingo em Israel, o presidente da República dribla a reação dentro de seu próprio gabinete e dos países árabes a sua proposta original de mudar toda a representação brasileira, que significaria o reconhecimento do Brasil da soberania de Israel sobre Jerusalém.

A parcela mais substancial da embaixada, dedicada ao relacionamento político entre os dois Estados, permanecerá em Tel Aviv. Até a sexta-feira 29, o Palácio do Planalto mencionava a criação apenas do escritório de comércio em Jerusalém. O anúncio de uma estrutura mais encorpada foi feito nesta tarde durante declaração à imprensa do presidente Bolsonaro e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em sua residência oficial.

Netanyahu não deixou transparecer desapontamento com o recuo do Brasil em transferir toda a sua embaixada para Jerusalém. Afirmou que esse é o “primeiro passo” para a mudança integral. Bolsonaro atribuiu a solução salomônica ao general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança institucional.

O Brasil relembrou que Jerusalém tem sido parte inseparável da identidade do povo judeu por mais de três milênios e se tornou o coração político do moderno e pujante Estado de Israel. Nesse espírito, e 72 anos depois de participar do primeiro capítulo da recriação do Estado de Israel, o país decidiu estabelecer um escritório em Jerusalém para a promoção do comércio, investimento, tecnologia e inovação.

Em pronunciamento à imprensa, o porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros, negou que a medida seja um reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel. Afirmou, no entanto, que o presidente “continua avaliando essa possibilidade”.

O porta-voz afirmou ainda que o novo escritório em Jerusalém não terá status diplomático e será conduzido por “pessoas não ligadas à carreira diplomática”. O general também insistiu que não se trata de uma transferência do escritório já existente em Tel Aviv para a cidade santa, mas da abertura de um novo organismo.

O texto da declaração conjunta do encontro entre Netanyahu e Bolsonaro diz que o Brasil relembra ser Israel “inseparável da identidade do povo judeu por mais de três milênios e se tornou o coração político do moderno e pujante Estado de Israel”. Não há menção à minoria árabe cidadã de Israel. “Nesse espírito, e 72 anos depois de participar do primeiro capítulo da recriação do Estado de Israel, o Brasil decidiu estabelecer um escritório em Jerusalém para a promoção do comércio, investimento, tecnologia e inovação.”

Casamento

Netanyahu e Bolsonaro assinaram sete acordos de cooperação nas áreas de segurança pública e defesa, de cibersegurança, de serviços aéreos, de saúde e de ciência e tecnologia. Sobre este último, o mais incensado, trata-se de uma atualização de acordo de 1962, para permitir a realização de pesquisas científicas conjuntas e o fornecimento e troca de equipamentos. “Isso é só o começo”, advertiu o israelense, para quem esses acertos são “do coração”.

Bolsonaro já o havia chamado de “irmão”. Ambos mencionaram Deus algumas vezes, e o israelense chegou a “abençoar” o brasileiro. Mas Bolsonaro foi além: qualificou o encontro com um “casamento” e novamente declarou seu amor, em hebraico, a Israel.

“Este nosso casamento no dia de hoje trará muitos benefícios aos nossos povos. Estou muito feliz. Peço a Deus que continue nos iluminando para que continuemos tomando boas decisões”, afirmou. “Eu amo Israel.”

O presidente ressaltou sua avaliação de que houve momentos de “um pouco de frieza e afastamento” no diálogo bilateral e que, agora, ambos os lados decidiram “esquentar e aproximar essas relações entre os países”.  “O Brasil deu uma guinada, a questão ideológica deixou de existir em nosso governo”,  disse o presidente brasileiro. “Buscamos ampliar os nossos negócios no mundo todo.”

Em uma tentativa de elogiar Israel, Bolsonaro afirmou ser o território desse país “menor do que o menor estado brasileiro, Sergipe”. “Mas nos orgulhamos de ver a grandiosidade da nação israelense”, completou.