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Bolsonaro condecora brigada israelense que participou de buscas em MG

Tropa enviou 133 militares para resgate após rompimento em Brumadinho; Bolsonaro comparou trabalho dos militares com operação que participou no Brasil

Por Julia Braun, de Ramla - Atualizado em 1 abr 2019, 13h36 - Publicado em 1 abr 2019, 06h13

O presidente Jair Bolsonaro visitou nesta segunda-feira, 1, a sede da Brigada de Resgate e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel. A tropa enviou 133 pessoas, entre militares e especialistas, para os esforços de resgate das vítimas da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais.

Bolsonaro condecorou a Brigada com a Insígnia da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul à Brigada de Busca e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel.

A honraria é a mais alta condecoração brasileira atribuída a estrangeiros e foi dada à organização como um todo. Autoridades como a rainha Elizabeth II, Nelson Mandela, Bashar Assad, o ex-ditador peruano Alberto Fujimori e o ditador venezuelano Nicolás Maduro já receberam a ordem de governos anteriores.

Na cerimônia de homenagem, que ocorreu na sede da brigada na cidade de Ramla, próxima à Jerusalém, Bolsonaro recordou um resgate que participou quando serviu nas Forças Armadas brasileiras. “Um ônibus caiu em um rio que alimentava uma grande represa. Quinze pessoas haviam perdido suas vidas e estavam no fundo da represa”, contou.

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“Como estava de ferias me voluntariei para participar do resgate. A represa tinha profundidade de 25 metros, água barrenta sem visibilidade”, disse, afirmando que chegou a se questionar se os esforços valiam a pena, já que não havia possibilidade de sobreviventes.

“O trabalho de vocês foi muito semelhante aquele prestado por mim no passado”, disse Bolsonaro aos brigadistas. “O trabalho dos senhores foi excepcional e fez com que os nossos laços de amizade se fortalecessem”, completou, agradecendo aos militares e ao premiê Benjamin Netanyahu pelo envio das forças.

O comandante da brigada, Tamir Yadai, agradeceu a visita do presidente. “Em nome de Israel e do Comando da Frente Interna eu gostaria de expressar nossos profundos pêsames as famílias e desejar que tragédias como essa nunca mais ocorram”, afirmou.

O rompimento da barragem de rejeitos de minério da Vale em Brumadinho deixou ao menos 206 mortos e 102 desaparecidos em 25 de janeiro deste ano, segundo o último boletim da Defesa Civil.

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Recebida na cidade mineira sob grande expectativa, a delegação israelense acabou exercendo um papel mais protocolar e estratégico durante os trabalhos de busca, em virtude da falta de expertise para situações como a encontrada e do funcionamento aquém do esperado de equipamentos militares, aguardados com ansiedade pelas famílias e equipes de resgate.

Ao final, durante dois dias as forças do país atuaram de forma complementar às brasileiras, auxiliando na retirada de 35 corpos. A VEJA, a major Rivka Cohen, integrante da delegação, registrou o tom de aproximação entre os dois países que marcava a operação. “Queremos que vocês saibam que o Brasil pode contar conosco e que nos sentimos realmente muito gratos e orgulhosos de poder ajudar”, disse.

Antes da entrega da honraria por parte de Bolsonaro, as forças israelenses exibiram um breve vídeo sobre os esforços de seus soldados em Minas Gerais.

Mais cedo nesta segunda, Bolsonaro fez uma visita à Unidade de Contra-Terrorismo da Polícia israelense. O evento não foi aberto à imprensa, por determinação do governo local.

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Pela tarde, Bolsonaro deve ir à Igreja do Santo Sepulcro, onde, segundo a tradição, Jesus teria sido crucificado, sepultado e, ao terceiro dia, teria ressuscitado. Também visitará o Muro das Lamentações, em Jerusalém, um dos locais mais sagrados do judaísmo, acompanhado de Netanyahu.

Esta é a primeira vez que o premiê israelense acompanha um chefe de Estado em visita oficial ao local. A decisão do governo também marca uma mudança na política externa brasileira em favor de Israel.

O Muro das Lamentações fica no setor leste de Jerusalém, parte do território ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Para muitos, visitar o local ao lado do líder israelense significa reconhecer a soberania do país sobre a região.

O compromisso na agenda de Bolsonaro também foi interpretado como uma tentativa de favorecer a reeleição de Benjamin Netanyahu. O premiê concorrerá a mais um mandato no cargo no próximo dia 9, quando serão realizadas as eleições parlamentares no país.

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O porta-voz da Presidência, general Rêgo Barros, negou o tom político da visita do presidente ao Muro das Lamentações. “O presidente não está analisando essa visita sob qualquer aspecto que não apenas o emocional e o religioso”, disse.

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