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Bolsonaro conclama população a participar de manifestações de 15 de março

Presidente também fala em traição: 'já levei facada no pescoço dentro do meu gabinete'; general Heleno afirma que Bolsonaro tem encontrado resistência

Por Roberta Paduan - Atualizado em 7 mar 2020, 14h51 - Publicado em 7 mar 2020, 13h59

O presidente Jair Bolsonaro conclamou a população a participar das manifestações de 15 de março, durante discurso feito neste sábado, 7, em Boa Vista, capital de Roraima. “Dia 15, agora, tem um movimento de rua espontâneo. E o político que tem medo de movimento de rua, não serve para ser político. Então, participem, não é um movimento contra o Congresso, contra o Judiciário. É um movimento pró-Brasil. É um movimento que quer mostrar para todos nós que quem dá norte para o Brasil é a população”, afirmou o presidente.

Bolsonaro discursou para apoiadores, durante a escala de cerca de uma hora e meia que fez em Boa Vista. Ele segue para Miami, nos Estados Unidos, onde participará de encontros com empresários e autoridades americanas. A Casa Branca confirmou nessa sexta-feira, 6, que Donald Trump receberá o presidente brasileiro em seu resort na Flórida.

Em seu discurso, ao lado do ministro Bento Albuquerque, de Minas e Energia, o presidente reclamou de supostas traições e de pessoas que “só pensam nelas”. “Pessoal, não é fácil. Já levei facada no pescoço dentro do meu gabinete, por pessoas que só pensam nelas apenas, não pensa no Brasil. Essa é uma realidade”, disse.

O general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), falou logo após Bolsonaro. O ministro reforçou o tom conspiratório do presidente. “Ele tem encontrado uma resistência muito grande, porque o que se criou nesse país, a rede de corrupção que se criou nesse país, que está sendo desbaratada por esse governo, tem prejudicado planos espúrios de muita gente”, afirmou o chefe do GSI.

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Crise

Os protestos, organizados por grupos que defendem o presidente, abriram uma crise institucional no mês passado, depois que Bolsonaro encaminhou a amigos um vídeo que convocava a população a ir às ruas para o ato. Como a pauta do movimento contém críticas ao Congresso, a ação do presidente gerou reação de chefes de Poderes. Ativistas conservadores preparam o ato, que prega bandeiras de direita, contrárias ao Congresso e em defesa de militares e do atual governo. A manifestação é considerada uma reação à fala do ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, que chamou o Congresso de “chantagista”.

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A revelação de que Bolsonaro havia compartilhado vídeo gerou atrito com outros poderes. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), cobrou respeito à democracia e afirmou que criar tensão institucional não ajuda o país a evoluir. Ministros do Supremo Tribunal Federal também criticaram a ação do presidente. Após as reações, Bolsonaro procurou parlamentares para afirmar que a crise foi causada por um mal-entendido, ressaltando que ele apoia as instituições democráticas.

Conexão Miami

A agenda em Miami inclui uma visita às instalações militares do Comando Sul, que é a unidade das Forças Armadas americanas responsável pela cooperação de segurança e operações militares nos países da América Central e do Sul. A visita ocorrerá na manhã de domingo, 8. Bolsonaro e ministros serão recebidos pelo general que administra a unidade militar e, além de conhecer as instalações, devem assistir a uma apresentação. Uma mesa-redonda entre autoridades militares dos dois países também está prevista.

Na segunda-feira, 9, o presidente se encontra com os senadores Marco Rubio e Rick Scott, ambos integrantes do Partido Republicano, o mesmo do presidente Trump, e com o prefeito de Miami, Francis Suarez. Na sequência, a comitiva brasileira participará da sessão de abertura de seminário empresarial Brasil-EUA.

No mesmo dia, Bolsonaro ainda se encontra com representantes da comunidade brasileira na Flórida e com pastores locais. Na terça-feira, 10, Bolsonaro participa da abertura de outra conferência empresarial entre investidores dos dois países e, em seguida, viaja para Jacksonville, também na Flórida, para visitar as instalações de uma fábrica da Embraer. A comitiva brasileira embarca de volta ao país, novamente com escala técnica em Boa Vista. A chegada do presidente a Brasília na madrugada de quarta-feira, 11. O governo não adiantou os possíveis acordos que deverão ser assinados durante a visita. A expectativa é que um acordo relacionado a compras de aeronaves da Embraer possa ser formalizado.

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