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Advogado de Demóstenes pode recorrer ao STF por perícia

Defesa afirma que há distorção em áudios obtidos pela Polícia Federal. Decisão sobre o pedido deve sair na semana que vem no Conselho de Ética

Por Gabriel Castro - 23 maio 2012, 16h11

A defesa do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) cogita recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir que o Conselho de Ética do Senado realize uma perícia nas gravações que flagraram as relações do parlamentar com o contraventor Carlinhos Cachoeira. Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, alega que há trechos distorcidos nos áudios.

“Poderia ir ao Supremo para ter o direito à ampla defesa antes dele falar. Isso é uma decisão jurídica que eu tomaria”, afirmou Kakay nesta quarta-feira. Ele alega que contratou um analista por conta própria, que teria detectado “problemas graves” na interpretação dada pela Polícia Federal aos áudios. Há cerca de vinte dias, a defesa pediu ao conselho uma nova perícia no material, mas a resposta ainda não veio.

O colegiado, responsável por analisar o processo de cassação do senador, só deve examinar o pedido da defesa depois do depoimento de Demóstenes, marcado para a próxima terça-feira: “De qualquer forma, sendo necessária a perícia, o conselho terá que aprovar”, observou o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), presidente do colegiado. “Por enquanto a gente não está decidindo nada para não atrapalhar o andamento dos trabalhos”.

Se o pedido fosse concedido, como queria o advogado, a consequência imediata seria o adiamento do depoimento de Demóstenes no Conselho de Ética até a conclusão da análise. Na audiência, Demóstenes deve trazer as primeiras justificativas concretas desde que se agravaram as denúncias sobre sua ligação com Cachoeira, que comandava a máfia dos caça-níqueis em Goiás.

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Ausência – Nesta quarta-feira, a reunião do conselho se esvaziou com a notícia de que o contraventor Carlinhos Cachoeira, convidado a depor, não apareceria. O encontro foi encerrado logo após a leitura da justificativa para o não comparecimento do bicheiro.

A ausência não deve prejudicar o cronograma do Conselho de Ética. “Iremos prosseguir os nossos trabalhos”, afirmou Valadares. “Não haverá interrupção nem descontinuidade das investigações”. O colegiado deve concluir até o fim de junho o processo de cassação do senador. Depois, o caso vai à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ao plenário do Senado, que dará a palavra final.

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