Clique e assine a partir de 9,90/mês

Acusação entrega alegações mais cedo para agilizar impeachment

Autores do processo contra a presidente decidiram também convocar apenas três testemunhas para garantir o desfecho do caso ainda em agosto

Por Da redação - Atualizado em 10 ago 2016, 17h35 - Publicado em 10 ago 2016, 15h44

Os autores do processo de impeachment entregaram nesta quarta-feira suas alegações finais sobre o impedimento da presidente afastada Dilma Rousseff e decidiram indicar apenas três testemunhas para acelerar o desfecho do processo.

De acordo com a lei, acusação e defesa teriam até 48 horas para apresentar o chamado libelo, peça final com alegações, e poderiam arrolar até seis testemunhas para o julgamento. A acusação, no entanto, não esperou nem doze horas após o fim da sessão do Senado que transformou Dilma em ré. “Para que procrastinar a solução de uma controvérsia que a todos incomoda e causa um desconforto político e doloroso?”, questionou o advogado João Berchmans.

LEIA TAMBÉM:
Senado dá penúltimo passo para encerrar mandato de Dilma
Saiba como votou cada senador na sessão que tornou Dilma ré

Berchmans disse que a acusação ainda vai analisar se abrirá mão das três testemunhas indicadas e defendeu a ideia de que o julgamento pode começar já no dia 23. Ele lembrou, no entanto, que essa é uma decisão que cabe ao presidente do Supremo Tribunal Federal, Ricardo Lewandowski, responsável por conduzir essa etapa do processo.

O advogado também desqualificou a iniciativa de parlamentares que apoiam Dilma de recorrer à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. “Tudo é lícito pedir ao rei, mas se o rei vai deferir ou não, essa é outra questão. Esse processo se encontra blindado. Ele já foi questionado diversas vezes pela defesa da presidente afastada, inclusive no Supremo Tribunal Federal”, disse.

Continua após a publicidade

Para Berchmans, essa atitude demonstra “que a presidente se encontra como aquele peixe que se debate, porque ele está fora do aquário, fora do oceano, não tem mais como respirar e se encontra nos últimos momentos dos seus atos”. Ele classificou o processo de impeachment como uma “ópera trágica” e disse que Dilma e sua equipe de defesa “são personagens burlescos”.

O documento, de nove páginas, é assinado pelos juristas Miguel Reale Jr. e Hélio Bicudo e pela advogada Janaína Paschoal. As testemunhas indicadas foram o representante do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União, Júlio Marcelo Oliveira, e os auditores federais do TCU Antônio Carlos Costa e Leonardo Rodrigues. O advogado de defesa de Dilma, José Eduardo Cardozo, tem até sexta-feira para entregar a peça com as alegações finais.

(Com Estadão Conteúdo)

Publicidade