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ACM Neto quer ‘cuidado permanente’ de Bolsonaro com articulação política

Após conversas do presidente com partidos, presidente do DEM reconhece aceno do pesselista à política, mas pondera que só um dia de diálogo não é o bastante

Por João Pedroso de Campos Atualizado em 4 abr 2019, 22h18 - Publicado em 4 abr 2019, 22h15

Depois de uma conversa de uma hora e quarenta minutos com Jair Bolsonaro no Palácio do Planalto, nesta quinta-feira, 4, o prefeito de Salvador e presidente do DEM, ACM Neto, reconheceu no aceno do presidente aos partidos políticos uma janela em meio ao discurso bolsonarista da “nova política” contra a “velha política”, posição que deflagrou o recente bate-boca público entre Bolsonaro e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Para Neto, um dos seis líderes partidários recebidos separadamente no Planalto, no entanto, o desafio do presidente que até então se orgulhava de esnobar a política passa por manter a tal janela aberta, em nome de um “ambiente construtivo constante” no Congresso. Em outras palavras: se busca formar uma base aliada e governabilidade, Jair Bolsonaro deve cultivar mais dias como esta quinta-feira. Sobre seu partido especificamente, ACM Neto diz na entrevista abaixo que não há pressa em definir haverá ou não adesão à base aliada do governo:

O senhor se convenceu de que o presidente entendeu a necessidade de conversar com partidos e o Congresso? O fato de o presidente ter chamado os presidentes de partido já demonstra um reconhecimento dele da necessidade de ter uma articulação política. Isso foi confirmado na conversa que ele teve comigo. Está muito claro que ele reconhece a necessidade de ter uma relação boa com o Congresso, reconhece o papel dos partidos políticos nesse processo. Agora, óbvio que temos que aguardar os desdobramentos das conversas que aconteceram e que não é a questão apenas de um dia. Tem que ser um ambiente construtivo constante com partidos e, principalmente, os parlamentares.

O presidente sinalizou que manterá essa relação, que haverá novas conversas? Quem falou de organizar uma agenda permanente de conversas foi o ministro Onyx [Lorenzoni, da Casa Civil]. Ele me disse que gostaria de ouvir a gente, conversar, ter uma relação próxima.

A briga de Bolsonaro com Rodrigo Maia está mesmo superada? Creio que sim, acho muito importante haver uma relação harmônica entre o presidente e o presidente da Câmara. Rodrigo é um homem de elevado espírito público, comprometido com as reformas econômicas e consciente do papel e da responsabilidade que tem. Defendo que todos que possam trabalhem em uma conspiração positiva para que essa relação seja estável, permanente e colaborativa de lado a lado, não tem por que ser diferente. Isso tudo exige um cuidado permanente, que tem que ser das duas partes.

O DEM vai aderir à base aliada? Bolsonaro fez algum pedido explícito nesse sentido? Não houve pedido. Mas mais importante do que o partido ser base ou não é o governo ter condições de construir um clima positivo no Congresso que permita as coisas avançarem. Quanto a ser ou não ser base, o tempo vai dizer qual caminho que o Democratas vai tomar. O fato é que as coisas têm que acontecer na hora que têm que acontecer, ainda não chegou momento para essa deliberação, tanto que em hora nenhuma eu submeti isso à Executiva do partido. Ou esse processo vai ser natural ou ele não vai acontecer. Isso é menos importante que a nossa disposição em avançar a agenda.

Qual é a chance de fechar questão pela reforma da previdência? Chance tem. A hipótese existe, mas vai depender muito do texto que sair da comissão especial e for para o plenário. Se em torno desse texto houver convergência ampla no partido, pode ser que a gente feche questão, mas não dá para detalhar nesse momento. Tem que dar todo tempo necessário, quando tivermos o texto final, vamos decidir.

O líder do DEM na Câmara, Elmar Nascimento (BA), já se disse contra o fechamento de questão. Eu conversei com Elmar e nosso posicionamento é convergente. Ele deu uma declaração na semana passada que ele pessoalmente ia defender que não houvesse fechamento de questão e o que eu posso dizer é que esse assunto será tratado no momento certo. Hipótese existe, não vou afastar. Se vai fechar questão, não sei.

Como o senhor avalia a participação do ministro Paulo Guedes na CCJ da Câmara? Ele foi bem. Claro que aquele bate boca nem o próprio ministro gostaria que tivesse acontecido, mas a oposição saiu do tom, assumiu um tom absolutamente desrespeitoso, inadequado, indevido. Mas o ministro foi bem, mostrou ao país o quanto a reforma é importante.

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