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A voz das ruas dá um choque de realidade em Lula

Popularidade do governo não está tão boa quanto imaginava o presidente, que precisa se preocupar com o que acontece além da confortável bolha da esquerda

Por Daniel Pereira Atualizado em 8 Maio 2024, 12h31 - Publicado em 9 mar 2024, 19h46

O presidente Lula adora uma plateia amistosa e, em seu terceiro mandato, quase não conta com assessores com intimidade, coragem e peso político para contestá-lo. A combinação desses dois fatores faz com que o petista viva numa espécie de realidade paralela, em que imperam o autoelogio, a infalibilidade e a retórica de cercadinho, devidamente resumidos no conhecido mantra “nunca antes na história deste país”.

A pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira, 6, mostra que o presidente e o governo não estão tão bem em termos de popularidade quanto Lula imagina — e que o mandatário precisa se preocupar com o que acontece além dos limites da zona de conforto da esquerda. Pode-se até discordar, mas não é possível ignorar o sentimento das ruas. E hoje o quadro é claro: diminuiu a boa vontade dos eleitores com a gestão petista.

Alguns dados são esclarecedores. A  aprovação ao trabalho do presidente atingiu o menor nível, e a desaprovação, o maior. Houve crescimento da rejeição entre mulheres e jovens, segmentos que foram fundamentais para garantir a vitória de Lula sobre Jair Bolsonaro em 2022. Mesmo na economia, área em que o governo colheu bons frutos em indicadores importantes, como emprego e renda, a avaliação do desempenho oficial piorou, e o pessimismo popular aumentou.

Tiros no pé

As razões desse processo de desidratação da imagem do presidente e de sua gestão ainda não estão muito claras. Fala-se na carestia dos alimentos, por exemplo, mas também não se pode afastar a possibilidade de parte do eleitorado estar cansada com certas ladainhas de Lula.

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Em declaração recente, ele defendeu mais uma vez o ditador Nicolás Maduro, lembrando que haverá eleições na Venezuela, mas suprimindo o fato de que a participação de alguns oposicionistas foi vetada. Lula também cobrou mea-culpa da imprensa pela cobertura do petrolão, justo ele que finge desconhecer o monumental esquema de corrupção descoberto pela Operação Lava-Jato.

Para alegria do encrencado Bolsonaro, o presidente tropeça nas próprias pernas, como ficou claro na desatinada comparação entre os ataques do exército de Israel em Gaza e o Holocausto, que, segundo a Quaest, fez crescer a rejeição dos evangélicos a Lula, hoje em 62%

Um dos ministros mais próximos do presidente diz que Lula precisa escolher melhor suas brigas, mas logo ressalta que manifestações polêmicas dele geram engajamento. É verdade. Na bolha de esquerda, rendem os aplausos de sempre. Já no eleitorado de centro, aquele que decidiu a última eleição e deve decidir a próxima, a reação é bem diferente. Sob a frieza dos números, a pesquisa Genial/Quaest traz esse alerta.

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