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Vice-presidente do Equador renuncia após acusações de pagamento de propina

María Alejandra Vicuña é investigada por cobrança de propina quando era deputada; ela assumiu cargo executivo depois da prisão de Jorge Glas

A vice-presidente do Equador, María Alejandra Vicuña, renunciou ao cargo nesta terça-feira 4 em meio a uma investigação por cobrança de propina na época em que ela era congressista.

“O país não merece esta instabilidade, portanto apresento a renúncia ao meu cargo de vice-presidente”, escreveu Vicuña em sua conta no Twitter, um dia depois de o presidente Lenín Moreno afastá-la de suas funções devido à investigação.

O advogado Ángel Sagbay denunciou na semana passada que em 2012 e 2013, quando assessorava Vicuña na Assembleia Nacional, fez depósitos no valor total de 20.000 dólares em uma conta bancária da então parlamentar, que exigia dinheiro como contribuição para seu movimento político.

Vicuña qualificou de “infâmia” a denúncia de Sagbay e disse que confiava que o caso se resolveria na Justiça, enquanto a Procuradoria a investiga por corrupção.

Na segunda-feira 3 Moreno anunciou que decidiu afastá-la de suas funções “para que possa exercer sem interferências de nenhum tipo seu direito a uma legítima defesa”. A decisão presidencial não implicou na destituição de Vicuña.

No Equador, a única via para retirar o vice-presidente do cargo é através de um julgamento político na Assembleia Nacional, na qual o governo perdeu a maioria por uma luta de poder entre Moreno e o ex-presidente Rafael Correa (2007-2017).

Na quinta-feira da semana passada a Assembleia pediu sua renúncia.

Vicuña foi indicada vice-presidente por Moreno em outubro de 2017 e eleita finalmente pelo Legislativo em janeiro passado, diante da ausência no cargo do titular, Jorge Glas, que está preso por receber subornos por 13,5 milhões de dólares da construtora Odebrecht.

Em entrevista à Agência Efe na última sexta-feira, Vicuña confirmou os depósitos em sua conta, mas negou que eles tivessem sido condição para que Sagbay se tornasse assessor ou permanecesse no cargo, e alegou que por trás da trama poderia haver “interessados”, dentro do próprio governo de Lenín Moreno, em assumir a vice-presidência

(Com AFP e EFE)