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Venezuela pede a diplomatas paraguaios que deixem o país

Expulsão foi anunciada por Paraguai - depois Venezuela confirmou informação

A Venezuela pediu a quatro diplomatas paraguaios que deixem Caracas em um prazo que o Paraguai considerou “exíguo”, em uma nova rusga entre os dois países que mantêm relações congeladas há mais de três meses. Uma fonte da chancelaria da Venezuela confirmou, horas depois, a expulsão dos diplomatas.

“Fomos notificados verbalmente (sobre a expulsão), e pedimos que o façam por escrito. A partir da notificação, os diplomatas paraguaios têm 72 horas para abandonar o país. Nos parece um prazo extraordinariamente curto”, disse mais cedo o chanceler do Paraguai, José Félix Fernández Estigarribia, a uma emissora de TV de Assunção.

“Acredito que seja uma medida irreversível a que toma o governo da Venezuela, e que complica ainda mais a possibilidade de solucionarmos esse tema. É um problema enorme, temos uma grande quantidade de paraguaios na Venezuela”, acrescentou o chanceler.

Num primeiro momento, as autoridades venezuelanas em Caracas recusaram-se a confirmar a versão paraguaia. “Não há informação oficial a respeito”, disse um porta-voz do escritório de Imprensa do Ministério das Relações Exteriores. Funcionários do vice-ministério de Relações Exteriores para a América Latina e o Caribe também não comentaram o assunto.

Horas depois, porém, o governo da Venezuela admitiu ter revogado as “credenciais e vistos” do pessoal diplomático paraguaio em Caracas. A decisão venezuelana ocorre em um momento em que o Paraguai negocia com alguns países sul-americanos o retorno de seus embaixadores e a possibilidade de suspensão das sanções antes das eleições gerais previstas para abril de 2013.

Histórico – Venezuela e Paraguai retiraram seus respectivos embaixadores em junho, após a destituição do então presidente paraguaio, Fernando Lugo, e das posteriores acusações de ingerência do novo governo de Assunção contra o então chanceler venezuelano, Nicolás Maduro – nomeado vice-presidente por Hugo Chávez depois de sua reeleição, no início deste mês.

A destituição de Lugo causou a suspensão do Paraguai da União das Nações Sul-americanas (Unasul ) e do Mercosul. Com a saída do Paraguai, o Mercosul decretou o ingresso da Venezuela como membro pleno, determinações que as autoridades paraguaias, contrárias à adesão da Venezuela, qualificam de “ilegal”.

O novo governo sustenta que Maduro, que estava em Assunção junto a uma missão de chanceleres da Unasul para oferecer apoio a Lugo, pediu aos chefes militares paraguaios que apoiassem o então presidente. Maduro denunciou, em 25 de julho, que setores “golpistas” do Paraguai tinham começado uma perseguição política e repetiu que estava em Assunção como membro da Unasul.

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(Com agências Reuters e EFE)