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Vaticano abre ao público arquivos sobre perseguição a judeus no Holocausto

Documentos já haviam sido disponibilizados a pesquisadores após anos de polêmicas envolvendo omissão do papa Pio XII diante dos horrores do nazismo

Por Duda Gomes Atualizado em 23 jun 2022, 20h26 - Publicado em 23 jun 2022, 19h24

O papa Francisco ordenou a publicação on-line, nesta quinta-feira, 23, de 170 volumes de arquivos recém-abertos do papa Pio XII, chefe da Igreja católica durante a II Guerra Mundial. Os documentos são relacionados aos judeus, e seriam pedidos de ajuda que eles teriam enviado ao papa da época, após o início da perseguição nazista, de acordo com comunicado do Vaticano.

Embora os documentos estejam disponíveis para consulta por estudiosos desde março de 2020, Francisco pediu que fossem acessíveis a todos. A decisão teria sido tomada por pressão de pesquisadores, que exigiam há anos acesso aos documentos para examinar por que Pio XII não se manifestou durante o extermínio de judeus na guerra, um silêncio que as organizações judaicas consideram uma forma de cumplicidade passiva.

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“Isso permitirá que os descendentes daqueles que pediram ajuda encontrem vestígios de seus entes queridos de qualquer parte do mundo”, afirmou o secretário do Vaticano para as Relações com os Estados, Paul Richard Gallagher, no comunicado. “As solicitações chegariam à Secretaria de Estado, onde os canais diplomáticos tentariam fornecer toda a ajuda possível, levando em conta a complexidade da situação política no contexto global.”

Junto ao comunicado, foi anexada uma das cartas dos arquivos. Datada de 1942, a carta foi escrita por um estudante alemão que buscava ajuda para sair de um campo de concentração na Espanha, e dizia: “Há pouca esperança para aqueles que não têm ajuda externa”. Ele foi libertado um ano depois.

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Desde que os arquivos ficaram disponíveis para pesquisadores, um debate sobre a atuação do papa Pio XII voltou à tona. O Vaticano sempre defendeu o pontífice contra as críticas de alguns grupos judeus de que ele permaneceu em silêncio diante do Holocausto, dizendo que usou a diplomacia silenciosa para salvar vidas.

Mais de 2.700 documentos foram mantidos nos arquivos da Secretaria de Estado e contêm pedidos de intervenção papal para evitar a deportação nazista, obter libertação dos campos de concentração ou ajudar a encontrar familiares. A maioria dos pedidos veio de pessoas de famílias judaicas, que foram batizadas na Igreja católica e não eram mais judeus praticantes.

Enquanto seus sucessores João XXIII (1958-1963), Paulo VI (1963-1978) e João Paulo II (1978-2005) foram canonizados, o processo de beatificação de Pio XII, relançado em 2009 por Bento XVI, está parado desde então, devido às controvérsias sobre seu papel durante a guerra.

Para muitos historiadores, ele deveria ter condenado o massacre de judeus com muito mais firmeza, mas não o fez por cautela diplomática e para não colocar em perigo os católicos na Europa ocupada. Outros, no entanto, afirmam que ele salvou dezenas de milhares de judeus italianos pedindo aos conventos que lhes abrissem suas portas.

A peça de teatro O Vigário, do dramaturgo alemão Rolf Hochhuth, de 1963, contribuiu muito para a imagem de um papa sem preocupação com a situação dos judeus. Ela foi adaptada para o cinema em 2002 com o título Amém, do grego Costa-Gavras.

O livro do premiado historiador David Kertzer – que teve acesso aos arquivos – The Pope at War sugere que o Vaticano estava mais preocupado em salvar judeus que se converteram ao catolicismo, filhos de pelo menos um pai judeu ou pessoas relacionadas de alguma forma ao catolicismo. Kertzer diz ainda que Pio XII estava relutante em intervir em nome dos judeus ou em fazer denúncias públicas dos crimes cometidos pelos nazistas para evitar antagonizar com Hitler ou com o ditador fascista da Itália, Mussolini.

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