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União Europeia não chega a acordo sobre imigrantes e adia decisão

A situação voltará a ser avaliada em um Conselho extraordinário de ministros do Interior em dezembro, quando a UE decidirá como realocar os imigrantes

A União Europeia não conseguiu chegar a um consenso nesta segunda-feira sobre como distribuir 40.000 postulantes a asilo entre seus membros ao longo dos próximos dois anos. A decisão sobre o destino dos imigrantes, atualmente na Grécia e na Itália, foi adiada até o fim deste ano, disseram diplomatas do bloco. Depois da morte de cerca de 800 pessoas num barco pesqueiro que rumava da Líbia para a Itália em abril, os líderes da UE pediram um acordo sobre um plano de realocação até o fim de julho.

O ministro do Interior da Espanha, Jorge Fernández Díaz, anunciou nesta segunda-feira que seu país acolherá 2.749 refugiados, sendo 1.300 eritreus e sírios vindos da Itália e da Grécia e 1.449 pessoas de diversos outros países, como contribuição ao acordo de divisão feito entre os Estados-membros da União Europeia. “Oferecemos reassentamento para 1.449 pessoas e o programa de realocação para 1.300. O total é bom e nos coloca em uma posição muito adequada”, disse o ministro ao término do Conselho extraordinário de ministros do Interior da Europa, que aconteceu hoje em Bruxelas na Bélgica.

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Na proposta de cotas colocada pela Comissão Europeia, a Espanha deveria receber nos próximos dois anos 4.288 solicitações de asilo de sírios e eritreus do total de 40 mil para toda a União Européia, além de 1.549 pessoas das 20 mil que possuem o status de refugiado e se encontram em outros países. O ministro explicou que os compromissos expostos pelos países não permitem chegar à meta de 40 mil solicitantes de asilo, mas confirmou que a situação voltará a ser avaliada em dezembro, quando um Conselho extraordinário de ministros do Interior estudará como repartir entre os países as pessoas restantes.

De acordo com o ministro espanhol, a repartição só começará quando os centros de identificação e marcação de impressões digitais estiverem funcionando na Itália e na Grécia, os maiores beneficiados pela medida, que se comprometeram a melhorar a gestão dos processos dos recém-chegados a seu território em troca da ajuda da UE. Em paralelo, a Espanha apresentou aos colegas europeus um memorando para o retorno de imigrantes irregulares. O governo considera que não pode haver uma política de imigração europeia que não inclua este elemento.

Cerca de 150.000 imigrantes que fogem de guerras e da pobreza chegaram à Europa por via marítima até agora em 2015, afirmou a Organização Internacional para as Migrações, a maioria deles na Itália e na Grécia, dois países já atingidos por uma longa crise econômica.

(Com EFE e Reuters)