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Turquia condena 2.000 pessoas à prisão perpétua desde tentativa de golpe

Mais de 55.000 pessoas foram presas e 140.000 demitidas ou suspensas pela repressão comandada por Ancara

Quase 2.000 pessoas foram condenadas à prisão perpétua na Turquia desde a fracassada tentativa de golpe contra o presidente Recep Tayyip Erdogan, em julho de 2016, informou nesta terça-feira, 18, a imprensa estatal do país.

Ancara acusa o pregador Fethullah Gülen, que vive no exílio nos Estados Unidos há cerca de 20 anos, de estar por trás da tentativa de golpe.

Desde o levante fracassado, as autoridades turcas realizaram expurgos sem precedentes contra supostos partidários de Gülen, que nega qualquer envolvimento no caso. Mais de 55.000 pessoas foram presas e 140.000, demitidas ou suspensas.

Cerca de 80% dos processos contra militares abertos pelo Ministério Público do país após o golpe já foram concluídos. Foram impostas sentenças de prisão superiores a um ano e dois meses para um total de 3.057 pessoas. Ainda há 50 ações em curso.

Entre os soldados sentenciados como culpados até agora, 978 foram condenados à prisão perpétua e outros 956 à “prisão perpétua agravada”, que é a máxima condenação possível no ordenamento jurídico turco e aumenta o tempo mínimo de qualificação para condicional.

Por outro lado, a imensa maioria dos detidos depois por suposto envolvimento na tentativa de golpe não é militar, mas civil. Segundo números do Ministério do Interior da Turquia, em abril havia 77.081 pessoas em prisão preventiva sob acusações de golpismo. O número de soldados em prisão preventiva se aproxima dos 7.000, entre eles 167 generais.

Além das pessoas presas por suposta ligação com o movimento de Fethullah Gülen, a repressão após o golpe também afetou os opositores pró-curdos e meios de comunicação, gerando críticas de países europeus e de organizações que defendem os direitos humanos.

Os expurgos continuam mais de dois anos após o golpe fracassado. Nesta terça-feira, um juiz determinou a prisão preventiva de 118 dos 216 militares detidos desde a última sexta-feira 14 sob a acusação de manterem vínculos com Gülen.

Um dos últimos condenados é um sobrinho do clérigo, Selman Gulen, que nesta terça-feira foi sentenciado a sete anos e meio de prisão por “pertencer a um grupo terrorista armado”, disse Anadolu.

(Com EFE e AFP)