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Trump usou medo dos americanos para se eleger, diz Obama

Em sua última viagem como presidente, Obama alertou sobre o crescimento de um "nacionalismo bruto" no país e comentou sobre a retórica de Trump

Por Da redação - 15 nov 2016, 18h18

Em viagem a Atenas, na Grécia, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, voltou a dar explicações sobre a eleição presidencial americana e se disse “surpreso” com o resultado das urnas. O democrata, que dará lugar a Donald Trump, afirmou que a campanha do magnata usou o “medo e a frustração” dos americanos em relação à globalização para chegar a vitória, fenômeno semelhante à saída do Reino Unido da União Europeia.

“Se eu reconheci que havia medo e frustração na população americana? Claro que sim”, disse Obama, durante entrevista coletiva ao lado do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras. “Vocês viram a retórica de representantes eleitos do Partido Republicano, de ativistas e da mídia. Parte dela bastante preocupante e não necessariamente conectada com os fatos, mas que foi usada com eficiência para mobilizar o povo”, afirmou o presidente.

Obama analisou que Trump “soube usar” o medo da população para atrair republicanos e, posteriormente, garantir uma parcela mais abrangente de eleitores. O democrata percebeu ainda uma “desconexão” em relação a boa avaliação de seu governo e a vitória do polêmico bilionário. “As pessoas pareciam achar que eu fiz um bom trabalho”, disse Obama. “Às vezes, a visão do povo é de que precisamos sacudir as coisas e optar pela mudança, mesmo sem saber o que ela trará”.

Nacionalismo bruto

Em sua última viagem internacional como presidente, que ainda passará pela Alemanha e pelo Peru, Obama seguiu com o discurso conciliador e defendeu uma transição suave na liderança. Por outro lado, o presidente alertou para os perigos da polarização e do populismo, tanto nos Estados Unidos quanto no resto do mundo. “Nós temos que nos proteger contra o crescimento de um tipo bruto de nacionalismo, identidade étnica ou tribalismo que é construído no entorno de ‘nós’ e ‘eles’”, disse o democrata.

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