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Trump acusa Bloomberg de racismo após melhora do democrata nas pesquisas

Áudio de 2015 reacende críticas sobre policiamento adotado pela prefeitura de Michael Bloomberg e, na época, elogiado por Trump

Por Amanda Péchy - 11 fev 2020, 19h36

Um áudio vazado nesta terça-feira, 11, no qual o bilionário Michael Bloomberg defendia a política de policiamento “stop-and-frisk” (“pare-e-reviste”), adotada quando foi prefeito de Nova York, rendeu ao pré-candidato democrata às eleições presidenciais dos Estados Unidos acusações de racismo. A munição foi usada pelo presidente americano, Donald Trump, que compartilhou o áudio no Twitter e comentou em maiúsculas: “Uau, Blommberg é completamente racista!

O candidato republicano à reeleição apagou logo em seguida seu comentário, sem maiores explicações. Mas sua atitude intempestiva deixou uma pista sobre quem considera seu potencial adversário nas eleições de novembro. Segundo o portal Real Clear Politics, que calcula a média das mais recentes pesquisas eleitorais, Bloomberg tem 13,6% das intenções de voto na disputa com os demais pré-candidatos democratas, apesar de ter entrado na briga mais tarde, em novembro. O porcentual foi suficiente para ultrapassar uma das mais fortes competidoras, a senadora Elizabeth Warren, e para conquistar o terceiro lugar no pódio dos favoritos.

Ainda mais preocupante para Trump é o fato de as pesquisas indicarem que, em disputa direta, Bloomberg sai com uma média de 6 pontos porcentuais de vantagem.

Tensões entre Bloomberg e Trump, que em 2016 disse que a política de policiamento do colega magnata funcionou “incrivelmente bem”, aumentaram à medida que as intenções de votos para o democrata cresceram. 

Nesta terça-feira, o ex-prefeito de Nova York pediu desculpas pela política stop-and-frisk. “Esta questão e meus comentários sobre ela não refletem meu compromisso com a reforma da justiça criminal e a equidade racial”. O método de policiamento, que ele aplicou por mais de uma década, enquanto esteve na liderança da metrópole, , foi extremamente criticado por provocar revistas desproporcionais em negros e latinos por toda a cidade. Em 2013, a prática foi considerada inconstitucional.

Em novembro passado, quando se apresentou como possível candidato às eleições de 2020, Bloomberg fez um mea-culpa. “Eu estava errado. E eu sinto muito”. O áudio de 2015, vazado nesta terça-feira, reacendeu as acusações de racismo devido às velhas declarações do bilionário acerca do perfil de pessoas ligadas a crimes.

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“Noventa e cinco por cento dos assassinos e vítimas de assassinato se encaixam em um modus operandi. Você pode pegar a descrição, fazer um xerox e distribuí-la a todos os policiais. São homens, minorias, de 16 a 25 anos. Isso é verdade em Nova York. Isso é verdade em praticamente todas as cidades. E é aí que está o verdadeiro crime”, disse.

Naquela época, Bloomberg ainda completou que a solução para impedir o acesso de menores – negros e latinos, obviamente – a armas de fogo era “jogá-los contra a parede e revistá-los”. À época, o democrata impediu que o vídeo, gravado no Instituto Aspen, fosse divulgado.

Depois de deletar o primeiro tuíte, Trump republicou a hashtag #BloombergIsRacist (#BloombergÉRacista), chamando o concorrente de “baixinho” e criticando suas habilidades no golfe – além de repetir o apelido que deu a Bloomberg: “Mini Mike”.

No bata-boca pela mesma rede, Bloomberg disse que o presidente dos Estados Unidos está tentando “dividir os americanos” e o acusou de empregar “apelos racistas e retórica odiosa”. “O ataque do presidente a mim reflete claramente seu medo pela força da minha campanha. Não se engane, senhor presidente, não tenho medo de você e não deixarei que você me intimide ou qualquer outra pessoa nos Estados Unidos”.

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Por ter ingressado na corrida democrata mais tarde, Michael Bloomberg não está competindo nas primárias desta terça-feira no estado de New Hampshire, assim como não concorreu no caucus de Iowa na semana passada. Além de sua performance melhorada nas pesquisas gerais, o magnata também tem se destacado entre eleitores afro-americanos – um eleitorado democrata essencial na batalha contra Trump no segundo semestre.

Além disso, a riqueza de Bloomberg, estimada pela revista americana Forbes em 53,4 bilhões de dólares, supera a de Trump, projetada em 3,1 bilhões de dólares. O democrata, porém, já desembolsou mais de 200 milhões de dólares de sua própria fortuna na campanha e promete não recorrer a doações de empresas e pessoas físicas nem ao fundo eleitoral. Se depender de cofre, o ex-prefeito já está na vantagem.

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