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Donald Trump é absolvido no processo de impeachment no Senado

O resultado já era esperado, já que os republicanos têm maioria na Casa; Mitt Romney foi o único republicano a votar contra o presidente

Por Julia Braun Atualizado em 5 fev 2020, 19h22 - Publicado em 5 fev 2020, 18h19

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, foi absolvido nesta quarta-feira, 5, no processo de impeachment contra ele no Senado americano.

O Senado o absolveu da acusação de abuso de poder, por 48 votos a favor de sua condenação e 52 contra. Já na votação por obstrução do Congresso o presidente foi absolvido por 47 votos a favor e 53 contra. Eram necessários os votos de 67 dos 100 senadores em pelo menos uma das acusações para o republicano ser condenado.

O resultado já era esperado, já que os republicanos têm maioria no Senado e já haviam deixado claro que inocentariam o presidente. O único senador republicano a votar contra Trump foi Mitt Romney, na decisão sobre a acusação de abuso de poder.

Trump era acusado de abuso de poder e obstrução do Congresso por ter pressionado a Ucrânia a investigar um de seus potenciais adversários políticos nas eleições de 2020, o democrata Joe Biden, e seu filho Hunter.

O magnata americano se tornou o terceiro presidente americano a ser absolvido pelo Senado, após os processos de Andrew Johnson, em 1868, e Bill Clinton, em 1999. Richard Nixon renunciou ao cargo antes mesmo que o seu caso chegasse ao Senado, em 1974.

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  • Mais cedo nesta quarta, o presidente democrata do Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados, Jerry Nadler, afirmou que a Câmara “provavelmente” convocará o ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca John Bolton para depor sobre possíveis irregularidades cometidas por Trump, mesmo após o término do processo de impeachment contra o presidente.

    Bolton mostrou disposição para depor ao Congresso americano caso fosse convocado pelo Senado durante a última fase do julgamento de Trump. Os senadores, contudo, decidiram não intimar novas testemunhas.

    Bolton se tornou uma figura central no julgamento de Trump, desde que trechos do manuscrito do seu ainda não publicado livro vazaram na imprensa americana. Nos fragmentos, o ex-assessor confirma que o presidente queria congelar uma ajuda militar de 391 milhões de dólares à Ucrânia até que Kiev abrisse uma investigação sobre Joe Biden, um dos democratas favoritos para disputar a reeleição contra o atual mandatário em novembro.

    O caso que deu origem ao impeachment parte de uma ligação telefônica entre Trump e o presidente ucraniano, Vladimir Zelensky, em 25 de julho de 2019. Na conversa, o republicano pede que o país do leste europeu investigue se Biden utilizou sua posição como vice-presidente do governo de Barack Obama para favorecer seu filho, Hunter Biden, que trabalhava em uma empresa ucraniana investigada por corrupção.

    Dois funcionários da inteligência americana que ouviram a chamada denunciaram a atitude de Trump à CIA de forma anônima e o caso se tornou público algumas semanas depois. Para tentar abafar o escândalo, a própria Casa Branca divulgou a transcrição da conversa. A ação, contudo, gerou um efeito reverso e levou à abertura formal do processo contra o presidente.

    Durante as investigações do caso e audiências na Câmara dos Deputados, dezenas de testemunhas foram ouvidas, entre elas diplomatas e funcionários da Casa Branca. Após a aprovação do afastamento na Casa, o processo passou para o Senado, onde os legisladores votaram contra a convocação de novas testemunhas.

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