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Tribunal acusa Musharraf de alta traição no Paquistão

Se condenado por suspender a ordem constitucional e fechar o Parlamento em 2007, o ex-ditador e antigo chefe do Exército pode pegar a pena de morte

Um tribunal especial de Islamabad formalizou nesta segunda-feira a acusação contra o ex-ditador militar Pervez Musharraf por alta traição por causa de sua decisão de suspender a ordem constitucional em 2007. Se condenado, ele pode pegar a pena de morte.

Musharraf, que compareceu pela segunda vez ao tribunal sob a ameaça de ser detido, se declarou inocente e pediu permissão para visitar sua mãe, doente nos Emirados Árabes Unidos, de acordo com o jornal Express Tribune – o colegiado de três juízes decidirá ao longo desta segunda se permitirá Musharraf viajar ao exterior.

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Aos 70 anos, o ex-chefe do Exército paquistanês foi acusado de alta traição há três meses pelo governo e está em liberdade condicional. Em 2007 ele decretou estado de emergência, suspendeu o Parlamento e ordenou a prisão de 60 juízes, decisões que para o governo significaram traição de acordo com o artigo 6 da Constituição paquistanesa.

Após a acusação foi criado um tribunal especial, mas Musharraf se negou a comparecer por quatro vezes após ser internado em 2 de janeiro, após sentir uma dor no peito quando ia para a primeira audiência. De acordo com a imprensa local, o ex-ditador foi transferido à Unidade de Terapia Intensiva do hospital militar neste fim de semana, onde está internado desde a piora de seus problemas cardíacos.

Musharraf chegou ao poder em 12 de outubro de 1999 após dar um golpe de Estado contra o então primeiro-ministro Nawaz Sharif, que voltou à chefia de governo após vencer as eleições de maio do ano passado.

O ex-general, único dos quatro ditadores militares do Paquistão que chegou a ser preso, tentou retomar sua carreira política em 2013 ao voltar ao país para participar das eleições gerais, mas foi impedido pela Justiça e em seguida preso.

(Com agência EFE)