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Três russos e um ucraniano são acusados por queda do voo MH17 na Ucrânia

Segundo investigações, militares foram responsáveis por transferir lançador de mísseis que derrubou avião em 2014 para separatistas ucranianos

Por Da Redação Atualizado em 19 jun 2019, 11h08 - Publicado em 19 jun 2019, 10h31

A equipe internacional que investiga a queda do voo MH17 da Malaysia Airlines, atingido em 2014 na Ucrânia por um míssil, anunciou nesta quarta-feira, 19, que quatro pessoas foram formalmente acusadas por causar a tragédia que deixou 298 mortos.

Ordens de prisão internacional foram emitidas contra três russos, Serguei Dubinski, Igor Girkin e Oleg Pulatov, e um ucraniano, Leonid Karchenko, suspeitos de envolvimento no caso.

A derrubada do avião é investigada pela Equipe Conjunta de Investigação (JIT), liderada pela Holanda. Os suspeitos vão enfrentar acusações de homicídio, segundo os investigadores.

Na época da queda do avião, separatistas ucranianos simpáticos à Rússia lutavam no leste da Ucrânia, na região de Donetsk, contra as forças do governo ucraniano.

O governo de Kiev chegou a acusar os separatistas de terem derrubado a aeronave, o Boeing 777, e o então presidente Petro Poroshenko classificou de “ato terrorista”. O avião ia de Amsterdã, na Holanda, para Kuala Lumpur, na Malásia.

  • As acusações

    Girkin é ex-coronel do serviço de espionagem FSB e foi ministro da Defesa na República Popular de Donetsk (DNR), apoiada por Moscou. Já Dubinski é funcionário da agência de inteligência militar GRU da Rússia e serviu como vice de Girkin na DNR.

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    Pulatov é ex-soldado de uma unidade de forças especiais da GRU e foi vice de Dubinski nas forças separatistas ucranianas. O ucraniano Leonid Karchenko liderou uma unidade de combate militar na cidade de Donetsk e estava sob seu comando.

    De acordo com a JIT, os acusados faziam as conexões entre Donetsk e Moscou e foram os responsáveis por transferir o lançador de mísseis Buk, usado para atirar no MH17, para as forças separatistas.

    “Trabalharam em estreita colaboração para conseguir o sistema de defesa antiaérea Buk e levaram-no ao ponto de lançamento para abater o avião. Assim, todos os quatro podem ser considerados suspeitos de estarem envolvidos na queda do voo MH17”, afirmou um representante da JIT.

    Menos de um mês antes do ataque, a Brigada 53, baseada em Kursk, no oeste da Rússia, levou o míssil modelo ar-terra Buk em um comboio de seis veículos – todos com número de identificação do Exército russo – para uma fazenda próxima a Pervomaisk, de onde foi disparado.

    No ano passado, a equipe de investigadores já havia acusado o Exército da Federação Russa de ter derrubado o avião da Malaysia Airlines.

    A Holanda vai enviar solicitação para Rússia e Ucrânia para interrogar os acusados. A maioria das vítimas mortas na queda da aeronave eram holandesas.

    Mais de cinquenta detetives estão envolvidos na investigação, em um time composto por ucranianos, holandeses, belgas, malaios e australianos. Foram usadas imagens de satélite, depoimentos de testemunhas e gravações de ligações telefônicas durante a apuração.

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