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Após eleições, Rússia diz que há chances de melhora em relações com Kiev

Kremlin alertou, contudo, que não tem expectativas de mudanças e pediu ações concretas de novo presidente da Ucrânia

Por Da redação 22 abr 2019, 11h33 | Atualizado em 3 jul 2026, 11h40
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Após a vitória do comediante Volodymyr Zelenskiy nas eleições da Ucrânia, a Rússia afirmou que há chances de melhora nas suas relações com o país vizinho. Moscou alertou, contudo, que o Kremlin espera ações concretas antes de tomar decisões e que não têm “ilusões” sobre qualquer mudança.

Zelenskiy, que interpreta um presidente fictício em uma série de televisão popular, está prestes a assumir a liderança de uma nação na linha de frente de um impasse ocidental com a Rússia, instaurado quando Moscou anexou a península da Crimeia e passou a apoiar uma insurgência pró-russa no leste da Ucrânia.

O comediante baseou sua campanha em propostas vagas e promessas de combate à corrupção. Afirmou, contudo, que pretende manter o rumo pró-Ocidente de seu antecessor, Petro Poroshenko, e encerrar a guerra na região de Donbass, no leste.

Prometeu também exigir do presidente russo Vladimir Putin o fim da ocupação de territórios ucranianos, além de uma compensação pelos conflitos dos últimos anos.

Pelo Facebook, o primeiro-ministro e ex-presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, afirmou não ter dúvidas de que o novo líder ucraniano “manterá a retórica em relação à Rússia que usou durante a campanha, repetindo os mesmos princípios ideológicos”. “Eu não tenho ilusões a respeito disso”, escreveu.

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“Ao mesmo tempo, ainda há chances da Ucrânia melhorar suas relações com a Rússia”, afirmou. “O que será preciso? Honestidade, bem como uma abordagem pragmática e responsável com consideração sobre as realidades políticas atuais na Ucrânia, principalmente no leste do país”.

“Portanto, a principal coisa que podemos desejar à nova liderança ucraniana é bom senso, bem como uma compreensão sobre o valor inerente das relações entre os povos de nossos países que transcendem todas as considerações políticas momentâneas”.

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O vice-ministro das Relações Exteriores da Rússia, Grigori Karasin, afirmou à agência oficial Ria Novosti que “os cidadãos da Ucrânia votaram pela mudança”. “Agora as novas autoridades do país devem entender e satisfazer as esperanças dos seus eleitores”, disse.

Por sua vez, a porta-voz do Ministério de Relações Exteriores, Maria Zakharova, afirmou na sua conta oficial no Facebook que a Ucrânia tem agora a oportunidade de “começar de novo” para deixar para trás a “redistribuição dos fluxos de dinheiro de alguns bolsos a outros” e para unir o povo não com “o uso da força, mas com base em uma agenda nacional”.

Zelenskiy derrotou o atual presidente, Petro Poroshenko, com 73% dos votos.  Os candidatos – que trocaram insultos e acusações em um debate realizado em um estádio de futebol em Kiev, na sexta-feira 19 – haviam prometido manter a Ucrânia em um caminho pró-Ocidente.

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Mas a vitória de Zelenskiy é uma mudança dramática para um país cujos presidentes anteriores, desde sua independência em 1991, foram políticos experientes, incluindo três ex-primeiros ministros.

A ampla vitória de Zelenskiy demonstra a rejeição dos ucranianos aos políticos veteranos como Poroshenko, de 53 anos, que aproximou o país do Ocidente mas foi incapaz de aumentar o nível de vida no país, um dos mais pobres da Europa.

Poroshenko não conseguiu acabar com a guerra com os separatistas pró-Rússia, que deixou 13.000 mortos em cinco anos, nem reduzir a corrupção.

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Volodymyr Zelenskiy terá que formar uma equipe de governo e tomar decisões apesar de não contar com a maioria parlamentar. As eleições legislativas estão previstas para 27 de outubro, o que anuncia um período de instabilidade política.

(Com AFP, Reuters e EFE)

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