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Tailandeses se adaptam à vida aquática para superar inundações

Por Da Redação 12 nov 2011, 09h06

Gaspar Ruiz-Canela.

Bangcoc, 12 nov (EFE).- Um vaso sanitário flutuante e uma espécie de táxi com remos são algumas das novas e úteis invenções tailandesas para enfrentar as dificuldades causadas pelas enchentes que transformaram a Tailândia em um país de aldeias aquáticas.

Os desabrigados que resistiram à força da água se agrupam nos terraços e outras áreas altas para receberem os mantimentos que o Governo distribui. Porém, aqueles que não possuem opções, enfrentam as águas contaminadas pelo lixo para conseguir o sustento, embora saibam que estão expostos a inúmeras doenças.

‘O Governo nos traz comida em um caminhão, mas não é muita quantidade. Aqui, não podemos trabalhar, portanto não temos dinheiro para comprar nada’, afirmou uma jovem moradora do bairro de Ban Plad, um dos mais afetados.

Com dez novos banheiros flutuantes para cerca de 70 mil habitantes, as autoridades esperam reduzir o risco de infecções causadas pelo excesso de excrementos na água, que há dois meses alaga a maior parte da cidade de Ayutthaya, localizada próxima à capital Bangcoc.

Montados sobre uma espécie de balsa com de garrafas plásticas fechadas, que servem como verdadeiras bóias, os banheiros flutuantes se resumem a uma cabine com uma cortina e um depósito para armazenar os dejetos.

Outro engenhosa invenção usada na Tailândia consiste em elevar até um metro a roda dianteira dos característicos triciclos tailandeses, chamados de ‘tuk tuk’. Assim, os veículos ganham um aspecto de uma motocicleta de estilo ‘chopper’ para enfrentar a força das águas.

Embora os tailandeses enfrentem essa situação com esperança, as inundações, que começaram há três meses são consideradas as piores registradas no país nos últimos 50 anos.

As inundações continuam causando mortes quase que diariamente, sendo que a maior parte das vítimas morre eletrocutada.

Até o momento, as autoridades do país já registraram 529 mortes e 2,9 milhões de desabrigados causados pelas inundações, que afetam mais de 27 províncias.

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Enquanto no centro financeiro e comercial não há sequer uma poça, a água já alagou 60% da superfície de Bangcoc, que até pouco tempo atrás era conhecida como a ‘Veneza do Oriente’ por sua ampla rede de canais.

As autoridades da Tailândia lutam para evitar que a premonição de seu rei, Bhumibol Adulyadej, seja cumprida. Há 100 anos, em plena efervescência da construção da cidade, o rei alertou que a eliminação dos canais para fazer ruas e edifícios seria como um ‘vaso sanitário sem rede de esgoto’.

O aparentemente irreparável avanço das águas mantém a maioria dos moradores de Bangcoc em alerta. Todos acompanham a evolução das águas através de mensagens que recebem em seus telefones celulares ou pela televisão, que informa sobre as inundações a quase todo momento com programas especiais e ao vivo.

Nos bairros alagados, os moradores reclamam do clima de desobediência civil, já que as pessoas estão cansadas de levar uma vida ‘aquática’. As pessoas também reclamam quando entram em lojas e supermercados, já que a maioria está desabastecida por conta da ruptura das redes de distribuição.

Milhares de toneladas de lixo também estão acumuladas nas ruas, o que deixa a água com uma coloração verde escura e repleta de doenças contagiosas.

Nas zonas residenciais da capital, as pessoas usam as últimas criações da moda popular: calças, botas e bolsas impermeáveis de diferentes cores e desenhos.

‘Tenho remédios, mas não consigo evitar a ação dos fungos e até já sinto dores’, disse à Agência Efe Sanjing. Sem perder o humor, a moradora de Bangcoc adota uma rara postura de tirar o pé de dentro da água.

Porém, um grupo de jovens bebe cerveja e escuta rock em uma casa de jogo clandestino improvisado, que foi montada sobre uma plataforma. Para chegar ao local, as pessoas se deslocam com água até os joelhos.

Uns vão protegidos com sacolas plásticas, outros arrastam uma espécie de placa flutuante para levar seus filhos. Mas a maioria navega com os mais variados tipos de quebra-galho flutuante.

‘Antes eu tinha um mototáxi, mas agora comprei uma barca para seguir ganhando algum dinheiro’, explicou Sorai, que espera em breve recuperar os US$ 310 que investiu na compra da embarcação.

‘Não é perigoso’, garantiu o barqueiro, embora não tenha tanta certeza quando é perguntado pelas centenas de crocodilos e serpentes venenosas que vagueiam pelas águas. EFE

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