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Situação do governo de Merkel se complica após derrota eleitoral

Rodrigo Zuleta.

Berlim, 14 mai (EFE).- A situação do governo da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, complicou-se após a clara derrota de seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), nas eleições regionais da Renânia do Norte-Vestfália, o que a oposição interpretou como um voto contra sua política europeia.

Nesta segunda-feira, um dia após o pior resultado da história da legenda neste estado, Merkel insinuou um possível compromisso com a oposição em torno do pacto fiscal da UE.

Enquanto isso, a oposição social-democrata e verde, aliada para governar no estado alemão mais povoado às margens do Reno, interpretou o resultado como um sinal às vésperas das eleições gerais do próximo ano.

‘Angela Merkel e seus aliados já não têm perspectivas de poder’, disse o líder do Partido Social-Democrata (SPD), o principal da oposição na Alemanha, Sigmar Gabriel.

O político lembrou também que a atual coalizão de governo formada pela CDU de Merkel e o Partido Liberal não conseguiu ganhar nenhuma das 11 eleições regionais que foram realizadas desde que assumiu o poder, em 2009.

Merkel, por sua vez, procurou virar a página sobre a derrota o mais rapidamente possível para voltar às tarefas governamentais. Questionada sobre as consequências da derrota para a política europeia, Merkel disse que, a princípio, não havia relação entre os dois temas, mas acrescentou que se reunirá com os partidos da oposição alemã para falar sobre a ratificação do pacto fiscal e sua complementação com um programa de crescimento na UE.

‘Vou me reunir com os partidos de oposição para ver quais expectativas existem. Contra medidas que fomentem o crescimento ninguém tem se opõe na CDU, mas devemos analisar como elas afetam a política de consolidação’, afirmou Merkel em entrevista coletiva.

A ratificação do pacto fiscal pode indicar uma reforma da Constituição alemã, para a qual é preciso uma maioria de dois terços tanto na Câmara baixa do Parlamento (Bundestag) como na Câmara alta, onde estão representados os governos dos 16 estados federados.

Por isso, Merkel necessita chegar a um acordo com o SPD e os Verdes, que são partidários – assim como o presidente francês, François Hollande – de complementar o pacto fiscal com medidas que fomentem o crescimento e a geração de empregos.

Ao abrir as portas a um possível compromisso com a oposição justo um dia antes da primeira visita de Hollande a Berlim, Merkel insistiu hoje em sua convicção de que entre o crescimento e uma política fiscal sólida não há contradição, e disse que a crise grega, em particular, e a do euro, em geral, não vêm de um excesso de cortes, mas da falta de austeridade.

A chanceler indicou que esse tinha sido o começo da espiral que havia levado a uma alta dos juros para os títulos de dívida grega, o que tinha tornado necessário um programa de ajuste para a Grécia.

No entanto, Merkel acrescentou que ‘também é verdade que quanto mais crescimento houver, mais possibilidades há de reduzir a dívida’, por isso é preciso buscar fórmulas para buscar um crescimento sustentado.

Durante a campanha eleitoral da Renânia do Norte-Vestfália, o tema da dívida ocupou um papel importante, e o candidato derrotado da CDU, Norbert Röttgen, chegou a dizer que em parte se tratava de um plebiscito sobre a estratégia europeia de Merkel. EFE