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Segurança em aeroportos jamais será perfeita

Graves brechas de segurança continuam sem solução em lugares públicos

“Em algum momento será preciso deixar claro que nada é 100% seguro”, diz Douglas Laird, ex-agente do serviço secreto dos Estados Unidos e antigo diretor de segurança da Northwest Airlines

Como se sentir totalmente seguro em algo tão grande como um aeroporto internacional contra um atentado terrorista como o de segunda-feira no aeroporto Domodedovo, em Moscou, na Rússia? Impossível, dizem especialistas em segurança. Os aeroportos são, por definição, locais públicos que exigem acesso relativamente livre. Os peritos sustentam há muito tempo que as graves brechas de segurança nos aeroportos continuam sem solução. Enquanto isso, quase todas as verbas e esforços são concentrados na procura de armas carregadas pelos passageiros que passam pelos pontos de revista. Apesar disso, os especialistas acham que uma tragédia como de segunda pode causar uma pressão por soluções rápidas.

“Isso sempre acontece”, diz Bruce Schneier, consultor de tecnologia de segurança que sempre argumentou que não existe a tal segurança perfeita – e que fingir o contrário é uma tolice. Douglas Laird, ex-agente do serviço secreto dos Estados Unidos e antigo diretor de segurança da Northwest Airlines, acha a mesma coisa. “Em algum momento será preciso deixar claro que nada é 100% seguro”, explicou ele. “Se você fosse construir um novo terminal a partir do zero, com certeza, poderia fazer um trabalho melhor e antecipar certas questões de segurança. Mas ainda assim estamos falando de áreas públicas. Não importa se é um aeroporto ou uma estação de trem. Se ali existir livre acesso, você pode ter problemas.”

Comportamento – Uma medida já em vigor que pode lidar com ameaças como a do atentado terrorista em Moscou é o que a Administração de Segurança nos Transportes (TSA, na sigla em inglês), nos EUA, chama de programa de detecção de comportamento. No programa, funcionários à paisana treinados no que a agência chama de “observação e análise não-intrusiva do comportamento” misturam-se à multidão procurando sinais físicos de potenciais problemas de comportamento. A TSA tem mais de 3.000 agentes de detecção comportamental em 161 dos 450 aeroportos comerciais no país. Normalmente, eles trabalham perto de postos de controle, mas também estão em outras partes dos terminais.

Um porta-voz da agência, Greg Soule, disse que os passageiros podem observar as “imprevisíveis medidas de segurança em todas as áreas dos aeroportos americanos, inclusive antes dos postos de controle”. Ele disse que a TSA está acompanhando os relatórios de Moscou e compartilhando informações com organismos internacionais. Christopher Bidwell, vice-presidente de segurança no Conselho de Aeroportos Internacionais da América do Norte, que representa os aeroportos americanos, disse que os terminais têm utilizado agentes locais para aumentar o número de vigilantes à paisana. Após o ataque em Moscou, os viajantes nos Estados Unidos verão um rápido aumento dos controles de segurança .

Inteligência – Os terminais de aeroportos operam em duas zonas, as áreas já protegidas e as áreas públicas. Como informações desde os ataques terroristas de 2001 têm mostrado, há problemas mesmo em áreas seguras, com pontos de acesso mal supervisionados, bem como o credenciamento e o acompanhamento inadequado de alguns funcionários do aeroporto e do pessoal de entregas. Nas áreas públicas, dizem os especialistas, a detecção comportamental pode ser útil como parte de programa de proteção, que também inclui a coleta sofisticada de inteligência. Para a maioria dos aeroportos, acrescentar segurança física aos espaços públicos é tanto uma questão de engenharia como simples procedimento.

Em países como a Índia, onde o tráfego aéreo cresce rapidamente e aeroportos estão sendo construídos e ampliados, novos modelos permitem acesso mais rígido aos terminais. Muitas vezes, pessoas sem bilhete ou reservas são afastadas dos principais terminais. Mas Joe Brancatelli, editor do JoeSentMe.com, um site para viagens de negócios, afirma: “Eles apenas empurraram o perímetro para trás”. As pessoas ainda têm de vir ao aeroporto, disse ele. Embora a tecnologia de detecção de explosivos tenha melhorado, a principal defesa é a vigilância, apesar de suas limitações. A detecção comportamental é uma parte do forte sistema de segurança aérea israelense, por exemplo, embora o processo seja demorado.