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Rússia: vazamento na Estação Espacial Internacional pode ser sabotagem

Fissura causou um vazamento de oxigênio e queda de pressão na ISS, mas que não colocou tripulação em risco

A Rússia iniciou uma investigação sobre um vazamento de ar em uma nave espacial Soyuz acoplada à Estação Espacial Internacional (ISS), que poderia ter sido causada por uma perfuração intencional para sabotagem.

“Estudamos a versão (de um problema causado) na Terra. Mas há outra versão que não descartamos, e é uma interferência deliberada no espaço”, indicou Dmitri Rogozine, diretor da agência espacial russa Roskosmos.

“Houve várias tentativas de perfurar” um buraco na Soyuz MS-09 acoplada ao segmento russo da ISS, acrescentou Rogozine, afirmando que a perfuração parecia ter sido feita por uma “mão trêmula”.

“Do que se trata? De um defeito de fabricação ou ato premeditado?”, questionou Rogozine, citado pela agência pública Ria Novosti.

A microfissura na nave causou um vazamento de oxigênio e queda de pressão na ISS na quinta-feira passada (30), mas que não colocou em risco a tripulação.

Na semana passada, Rogozine havia informado que a fissura foi causada pelo impacto de um micrometeorito. “Nós já descartamos a versão do meteorito”, disse ele na segunda-feira (3).

A fissura, localizada em uma parte da espaçonave que não será usada para retornar à Terra, foi inicialmente selada com fita resistente ao calor, segundo a Nasa. Os cosmonautas russos Oleg Artemiev e Sergei Prokopiev consertaram em seguida o vazamento na Soyuz.

Uma comissão russa foi criada para identificar os responsáveis, enquanto todas as naves da Soyuz e Progress serão examinadas, de acordo com uma fonte do setor espacial russo citada pela Ria Novosti.

Os problemas técnicos e operacionais não são incomuns na ISS e na maioria das vezes não representam um perigo real para a tripulação.

Os astronautas americanos Drew Feustel e Richard Arnold e o cosmonauta russo Oleg Artemiev estão a bordo do ISS desde 21 de março. A eles se juntaram em 8 de junho o russo Sergueï Prokopiev, a americana Serena Auñón-Chanceler e o alemão Alexander Gerst.

A Estação Espacial Internacional é um dos raros exemplos de cooperação entre a Rússia e os Estados Unidos em um contexto de tensões sem precedentes desde a Guerra Fria.

(Com AFP)