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Rússia diz que Turquia ameaçou vidas ao deter avião sírio

Aliado de Bashar Assad, Putin adiou viagem a Ancara após desentendimento

Por Da Redação - 11 out 2012, 10h42

A Rússia acusou nesta quinta-feira a Turquia de ter ameaçado a vida de cidadãos russos ao obrigar um avião de passageiros da Síria a pousar, para então apreender equipamentos militares que estariam destinados ao governo de Bashar Assad. A Síria disse que a interceptação do avião da companhia Syrian Air foi um ato de pirataria, agravando as tensões entre os dois países vizinhos. Nos últimos dias, a Turquia tem reagido de forma cada vez mais incisiva aos disparos, a partir da Síria, de morteiros em seu território.

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Na quarta-feira, caças turcos escoltaram um Airbus A-320 que fazia a rota Moscou-Damasco com cerca de 30 passageiros a bordo até o aeroporto de Ancara. Autoridades turcas disseram que a interceptação foi feita com base em informações sobre uma “carga não civil” no avião. A Rússia, que permanece como principal aliada de Assad em meio a um conflito que já matou cerca de 30.000 pessoas na Síria, exigiu uma explicação.

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“As vidas e a segurança dos passageiros foram colocadas sob ameaça”, disse a chancelaria russa em nota, acrescentando que 17 cidadãos turcos que estavam a bordo foram impedidos de entrar em contato com funcionários da diplomacia. Uma fonte da agência russa de exportação de armas disse à Interfax que o jato não transportava armas nem equipamento militar russo.

Chancelaria – A Síria também repreendeu a Turquia nesta quarta-feira, acusando o país de comportamento hostil e pedindo a restituição integral da mercadoria. “A interceptação é um comportamento hostil e repreensível e um sinal adicional da política hostil conduzida pelo governo de Recep Tayyip Erdogan, que abriga rebeldes e bombardeia o território sírio”, afirmou o ministério das Relações Exteriores em um comunicado. Além disso, o ministério afirmou que as autoridades turcas ‘inspecionaram o avião, maltrataram sua tripulação e mantiveram em cativeiro os passageiros durante longas horas’.

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O ministro sírio dos Transportes, Mahmoud Said, disse à TV libanesa Al Manar que a abordagem foi um ato de “pirataria aérea, que contradiz os tratados de aviação civil”. A Turquia disse ter agido conforme o direito internacional. “Estamos determinados a controlar transferências de armas para um regime que realiza tais massacres brutais contra civis. É inaceitável que tal transferência seja feita usando nosso espaço aéreo”, disse o chanceler Ahmet Davutoglu.

“Recebemos informações de que esse avião estava transportando uma carga de natureza que não poderia possivelmente cumprir com as regras da aviação civil”, disse ele durante visita oficial a Atenas. O avião e seus passageiros puderam seguir viagem depois que parte da carga foi apreendida. Autoridades não deram detalhes sobre o material confiscado, dizendo que ele está sob investigação, mas alguns jornais turcos noticiaram que havia na carga suprimentos não letais, como equipamentos de rádio.

“O avião não estava transportando nenhum material ilegal”, disse Ghaida Abdulatif, chefe da Syrian Arab Airlines, a jornalistas em Damasco. “Quando o avião foi inspecionado, ficou claro que havia pacotes civis com equipamentos elétricos que são autorizados a serem transportados e tinham sido registrados oficialmente.”

Putin – Em mais um desdobramento da crise entre os países, o presidente russo, Vladimir Putin, adiou uma visita prevista para a próxima segunda-feira a Ancara – agora ele viajará à capital turca no dia 3 de dezembro, anunciou o gabinete de imprensa do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. “A terceira edição do conselho de cooperação turco-russo irá ocorrer no dia 3 de dezembro em Ancara sob a co-presidência do primeiro-ministro e do presidente russo”, afirma o comunicado.

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(Com agências France-Presse e Reuters)

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