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Rei Charles III envia carta ao Cacique Raoni; veja a íntegra

Monarca britânico elogiou trabalho empenhado na preservação da Floresta Amazônica e na proteção dos direitos indígenas

Por Paula Freitas Atualizado em 28 jul 2023, 14h17 - Publicado em 28 jul 2023, 14h16

Uma carta enviada pelo rei Charles III foi entregue nesta sexta-feira, 28, ao brasileiro Cacique Raoni durante um evento na Aldeia Piaraçu, território kayapó em São José do Xingu, no Mato Grosso. Através da mãos da Encarregada de Negócios da Embaixada do Reino Unido no Brasil, Melanie Hopkins, o Cacique recebeu o texto do monarca britânico, que elogiou o trabalho empenhado na preservação da Floresta Amazônica e na proteção dos direitos indígenas.

“O Cacique Raoni tem uma trajetória fundamental de conscientização da humanidade em relação aos direitos e à situação dos povos indígenas. O impacto da atuação dele vai além do Brasil. Eu mesma, que nasci numa região rural do Reino Unido, tomei conhecimento de sua história”, disse Hopkins. “Foi ótimo participar desse momento de celebração da vida dele. Quando penso em Raoni, penso numa liderança que é capaz de levar a luta dos povos indígenas para o mundo inteiro”.

No documento, o rei Charles relembrou sua visita à Amazônia em 2009 e destacou os “profundos impactos do desmatamento e das mudanças climáticas” na região, especialmente para os povos indígenas. Em seguida, ele cita seu primeiro encontro com Raoni, ocorrido no mesmo ano, no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. O monarca visitou o Brasil em quatro ocasiões distintas para tratar de questões ambientais, pauta defendida desde quando desempenhava suas funções enquanto príncipe.

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O monarca ressaltou também  o compromisso de seu país com o Instituto Cacique Raoni, fundado há duas décadas para a defesa dos direitos dos povos Kayapó, Trumai, Tapayuna e Panará. O Reino Unido auxiliou financeiramente o evento “O Chamado do Cacique Raoni – Grande encontro das lideranças guardiãs da Mãe Terra”, no qual a carta foi entregue, por meio do programa Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação Florestal para Pioneiros (REDD for Early Movers, em inglês).

O governo britânico segue um modelo de investimento adotado pelas Nações Unidas, no qual iniciativas que auxiliam na redução de emissões de gases de efeito estufa recebem verbas, e atuou diretamente no Acre e no Mato Grosso. Em nota, a Embaixada do Reino Unido no Brasil ressaltou que a população indígena é a mais afetada pelas alterações no clima e por crimes ambientais e relembrou o apoio aos nativos brasileiros através do Financiamento Internacional para o Clima (ICF), salientando o auxílio a “mais de oito mil pessoas” no país.

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“Estas iniciativas cobrem áreas como treinamento de agentes para combater incêndios, planos de gestão territorial, infraestrutura e apoio emergencial durante o auge da pandemia de Covid19. O objetivo destas ações é desenvolver fontes sustentáveis de renda, garantindo direitos e fortalecendo a segurança alimentar”, afirmou a Embaixada em nota.

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Na carta, Charles ainda destaca o papel da organização sem fins lucrativos Global Canopy, que fornece “dados, métricas e avaliações para que grandes empresas, instituições financeiras, governos e organizações ao redor do mundo possam melhorar suas práticas em relação à proteção das florestas e da biodiversidade”, segundo a embaixada britânica. Por fim, o monarca destina seus “melhores votos” ao Cacique e aos povos indígenas brasileiros.

Leia a carta na íntegra:

“Caro Cacique Raoni,

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Fiquei muito entusiasmado em saber que a organização britânica, “Global Canopy”, está dando suporte ao evento em Julho deste ano para honrá-lo por seus feitos globais memoráveis e para encorajar a próxima geração a seguir seu impressionante exemplo. Sua voz tem sido fundamental no Brasil, e no mundo, em esforços para preservar a Amazônia e em seu apoio aos direitos de todos os povos indígenas.

Durante minha própria visita à Amazônia em 2009, testemunhei em primeira mão os profundos impactos do desmatamento e das mudanças climáticas na floresta tropical e nos povos e comunidades indígenas que ali residem. Também me lembro com apreço de nosso encontro no mesmo ano no magnífico Jardim Botânico do Rio de Janeiro, onde conversamos sobre o desejo compartilhado de ver a Amazônia protegida, e o prazer que mais tarde tive em recebê-lo na Clarence House.

Também fico contente que o Reino Unido tenha conseguido apoiar este evento por meio do Programa REDD+ para Pioneiros (REM), que conta com um de seus focos no fortalecimento de governanças indígenas e no apoio aos meios de subsistência de povos indígenas em seus territórios.

Envio meus melhores votos a você e a todos os povos indígenas do Brasil.

Charles R”.

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