Regime de Maduro prende 13 oposicionistas na Venezuela

Procuradoria-geral venezuelana abre investigação contra 14 civis e militares; país tem 688 presos políticos

Por Da Redação - Atualizado em 27 jun 2019, 19h31 - Publicado em 27 jun 2019, 19h30

Treze pessoas foram presas na Venezuela, inclusive um general das Forças Armadas, por um fracassado plano de “golpe de Estado”, informou nesta quinta-feira, 27, o ministro de Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez. Os detidos estão vinculados ao movimento ao líder opositor Juan Guaidó, autoproclamado presidente interino do país.

“Qual foi a consequência das ações criminosas desses golpistas? A prisão”, disse Rodríguez em declaração para a estatal VTV, na qual apresentou os nomes dos 13 detidos. A tentativa de rebelião militar ocorreu, mas fracassou por causa da lealdade da cúpula das Forças Armadas a Nicolás Maduro.

Entre os presos está o general de brigada Miguel Sisco Mora, a quem qualificou como “comandante da operação”. Na quarta-feira 26, Rodríguez havia denunciado o suposto complô, com o objetivo de matar o presidente Nicolás Maduro, a primeira-dama venezuelana, Cilia Flores, e o presidente da Assembleia Constituinte, Diosdado Cabello. Acusou também os governos da Colômbia, do Chile e dos Estados Unidos de participação na conspiração.

A comissão de Defesa da Assembleia Nacional, o único poder nas mãos da oposição, informou que 198 militares estão presos com base na acusação de traição à pátria e conspiração. Segundo a organização não governamental Foro Penal,  há 688 “presos políticos” no país.

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Pelo menos 12 militares e civis ainda são procurados por envolvimento na tentativa de golpe, acrescentou Rodríguez. Ele não incluiu Guaidó entre os participantes da ação, mas citou que líder da oposição estaria por trás da tentativa.

“Não são hipóteses, são evidências”, insistiu Rodríguez, divulgando vídeos e gravações de conversas telefônicas sobre a elaboração do “plano golpista”.

Guaidó rebateu as acusações ao defini-las como”novela”. Ele denunciara na terça-feira 25 a prisão de cinco militares e dois policiais quatro dias antes, quando a Alta Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, ainda visitava o país. Também afirmou que a intervenção militar, pelas forças de seu próprio país, ainda está sobre a mesa.

O procurador-geral, Tarek William Saab, ligado a Maduro, anunciou também nesta quinta-feira a abertura de uma investigação criminal contra 14 “civis e militares da reserva” sobre “os crimes de conspiração, terrorismo, traição e conspiração para cometer crimes”.

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É “um grupo totalmente subversivo, liderado por um eterno fracassado, usurpador do poder de maneira circense, o cidadão Guaidó”, disse o procurador à imprensa.

Sisco Mora e os militares na ativa, que segundo Rodríguez estão entre os presos ou procurados, não estão nessa lista divulgada. Entre os investigados estão o ex-chefe de inteligência Manuel Cristopher Figuera, que está asilado nos Estados Unidos, e o general reformado Raúl Baduel, ministro da Defesa de Hugo Chávez (1999-2013), sujeito a prisão domiciliar desde 2017.

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