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Putin quer diálogo “sério” com os EUA para evitar corrida armamentista

Rússia alerta para necessidade de 'evitar caos'; ao retirar-se de acordo nuclear com Moscou, Washington mira na China

O presidente russo, Vladimir Putin, pediu nesta segunda-feira, 5, um “diálogo sério” para “evitar o caos” após o fim do Tratado de Armas Nucleares de Alcance Intermediário (INF). Também advertiu que a Rússia se verá “obrigada” a desenvolver novos mísseis se Washington antecipar-se nessa mesma iniciativa.

Na sexta-feira 2, após seis meses de tentativas frustradas de diálogo, Estados Unidos e Rússia reconheceram o fim do INF. O acordo foi firmado em 1987 pelos então presidentes Ronald Reagan e Mikhail Gorbachev. Nesta segunda-feira, depois de Putin presidir reunião do Conselho de Segurança para tratar do fim do INF, o Kremlin divulgou uma nota para insistir na via do diálogo.

“Para evitar o caos, onde não há qualquer regra, limite ou lei, devemos refletir novamente sobre todas as consequências perigosas possíveis e travar um diálogo sério, sem ambiguidades”, dizia o texto, assinado pelo próprio Putin. “A Rússia considera necessário retomar por completo e sem demora as conversas para garantir a estabilidade estratégica e a segurança. Nós estamos dispostos”, declarou o líder russo.

O presidente russo advertiu sobre uma possível “corrida armamentista ilimitada”, se Washington se lançar à produção de mísseis proibidos pelo Tratado INF. Horas antes do fim do acordo, os Estados Unidos anunciaram o desenvolvimento de novos mísseis convencionais. Como reação, Putin ordenou aos Ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, assim como aos serviços de Inteligência russos, que acompanhem “atentamente” as iniciativas de Washington a este respeito.

Putin não trata esse jogo como rearmamento russo, mas como iniciativas de Moscou com “caráter exclusivamente de reciprocidade”.

Os americanos afirmam que Moscou aumentou suas capacidades de maneira incompatível com as bases do INF, que abarcava mísseis com alcance de 500 a 5.500 quilômetros. Porém, a saída americana do tratado não visa a Rússia, mas a China. Desenvolver novos misseis de alcance intermediário, para os Estados Unidos, seria uma maneira de colocar um freio na expansão chinesa no Oceano Pacífico e asseguraria a integridade das bases e dos interesses americanos na região.

“Apesar de tudo que aconteceu, contamos com o bom senso e com o senso de responsabilidade dos nossos colegas americanos e de seus aliados — diante de seus povos e diante de toda comunidade internacional”, acrescentou Putin.

Agora, resta em vigor apenas um acordo nuclear bilateral entre Moscou e Washington, o Start. Esse acordo prevê que ambas as potências mantenham seus arsenais nucleares muito abaixo do nível da Guerra Fria. A última etapa do Start chega a seu fim em 2021.