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Protesto no Afeganistão é reprimido com violência pelo Talibã

Ao menos três pessoas morreram e outras doze ficaram feridas; repressão ocorre um dia depois de porta-voz prometer moderação

Por Da Redação Atualizado em 18 ago 2021, 17h27 - Publicado em 18 ago 2021, 15h00

Um grupo de manifestantes protestou contra o Talibã na cidade de Jalalabad, próxima à fronteira com o Paquistão, nesta quarta-feira, 18. Carregando a bandeira do Afeganistão, os participantes gritavam e assoviavam depois que os extremistas retiraram a bandeira do país de um monumento da cidade e substituíram pela sua própria.

A manifestação foi repreendida de maneira violenta pelos fundamentalistas. Após atirarem para o alto para dispersar a multidão, algo que não aconteceu, eles então começaram a agredir as pessoas e efetuar disparos na direção delas. 

A repressão ocorre um dia depois do porta-voz talibã prometer em coletiva de imprensa uma abordagem mais moderada. Pelo menos três manifestantes foram mortos e outros doze ficaram feridos. 

Segundo a rede de notícias Al Jazeera, os protestos começaram a se espalhar por outras cidades afegãs, com relatos de ações semelhantes na cidade de Khost, também próxima da fronteira paquistanesa. Vídeos de pessoas carregando a bandeira do Afeganistão pelas ruas começaram a circular pelas redes sociais.

Embora ainda seja cedo para afirmar que esses atos se estenderão por todo o país, jornalistas locais dizem que os extremistas estão tensos com os rumos que estão sendo tomados.

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Na província de Panjshir, que ainda não foi capturada pelo Talibã, vídeos não verificados mostram uma enorme caravana de motocicletas com bandeiras da antiga Aliança do Norte, grupo que enfrentou os radicais entre 1996 e 2001. Eles estão sendo chamados de “exército de resistência” do ex-vice-presidente Amrullah Saleh, que se autoproclamou presidente interino. Os fundamentalistas ainda não se pronunciaram.

O grupo começou sua investida para retomar o controle do Afeganistão em maio, após o início da retirada das tropas estrangeiras do país, sobretudo americanas. No último dia 11, o serviço de inteligência dos EUA apontou que os extremistas poderiam tomar a capital em 90 dias, porém a sua queda ocorreu mais rápido do que o esperado. 

Após conquistar uma série de capitais provinciais na última semana, os fundamentalistas sitiaram Cabul no último domingo, movimento que fez com que o presidente Ashraf Ghani partisse para o Uzbequistão com sua esposa e dois assessores próximos. Poucas horas depois, o grupo entrou no Palácio Presidencial e fez um pronunciamento à mídia afirmando que tem o total controle sobre o país.

Na última segunda-feira, 16, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou que Washington “jamais teve o objetivo de construir um país” no Afeganistão e reiterou que ainda defende veementemente sua decisão de retirar as tropas americanas do país, mesmo que o colapso tenha sido mais rápido do que o esperado.

Um dos líderes do Talibã afirmou que o grupo irá esperar a retirada total das forças estrangeiras antes de criar uma nova estrutura de governo. A China já se disse pronta para ter relações amistosas com os extremistas, ao mesmo tempo que Irã e Rússia já fizeram aberturas diplomáticas. 

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