Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Presidente do Líbano convida manifestantes a negociar

Michel Aoun também defendeu o pacote de reformas políticas proposto pelo parlamento libanês no início da semana

Em sua primeira aparição desde o início dos protestos no Líbano há uma semana, o presidente Michel Aoun pediu calma aos manifestantes e os convidou a discutir as crises política e econômica no país nesta quinta-feira, 24. O principal obstáculo a esse convite está no fato de não haver lideranças claras nos protestos, convocados pelas redes sociais, como tem ocorrido em Hong Kong e no Chile. 

“Minha chamada aos manifestantes: estou pronto para encontrar seus representantes para ouvir suas demandas específicas. Vocês ouvirão de nós sobre nossos medos sobre o colapso financeiro”, disse Aoun, em tom conciliador. 

Esta quinta-feira, 24, é o oitavo dia seguido de protestos contra o governo liderado por Aoun (cristão) e pelo primeiro-ministro Saad Hariri (muçulmano). Como reportou a emissora Al Jazeera, grandes multidões se mobilizaram em Tripoli – não se confundir com a capital da Líbia -, a segunda maior cidade do Líbano. 

Tradicionalmente um bastião eleitoral de Hariri, Tripoli e a maior parte do país não se satisfezem com o pacote de reformas política apresentadas pelo premiê na segunda-feira 21. As medidas envolvem o corte dos salários dos políticos em 50%, foi defendido pelo presidente Aoun nesta quinta-feira. “É o primeiro passo para salvar o Líbano e remover o espectro de colapso econômico e financeiro”, disse.

A dívida do país árabe é uma das maiores no mundo, superior a 150% do Produto Interno Bruto (PIB), e o desemprego varia entre 35% e 40%, relata a emissora americana NBC. O Líbano está entre os 40 piores do ranking de 175 países avaliados pelo Índice de Percepção da Corrupção, da organização não-governamental Transparency International. O estopim das manifestações foi a já descartada taxação do governo sobre as chamadas de voz pelo aplicativo de mensagens Whatsapp. Outras medidas de elevação da carga tributária e de corte gastos públicos irritaram a população.