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Boris Johnson sofre primeiro revés com derrota em eleição regional

Após vitória de liberal democrata em distrito no País de Gales, partido do novo premiê britânico está a apenas um deputado de perder maioria parlamentar

O primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, sofreu nesta sexta-feira, 2, seu primeiro revés eleitoral desde que assumiu o cargo, com a vitória da liberal democrata Jane Dodds em eleição no País de Gales. Com a derrota do candidato do Partido Conservador, Johnson reduziu sua maioria parlamentar a apenas um deputado.

Resultados oficiais da eleição na circunscrição de Brecon e Radnorshire, em Gales, mostram que a candidata pró-União Europeia Jane Dodds derrotou Chris Davies, da legenda conservadora de Johnson, por 13.826 votos contra 12.401.

A derrota enfraquece o novo governo, que acaba de anunciar duplicação no orçamento para a preparação de um Brexit sem acordo, com 2,1 bilhões de libras (9,8 bilhões de reais) adicionais este ano.

O dinheiro servirá para “acelerar os preparativos na fronteira e nas empresas, bem como para lançar uma nova campanha de comunicação sobre o Brexit”, afirmou o Tesouro britânico.

“Esse governo poderia ter descartado um Brexit ‘sem acordo’ e gastar esses bilhões em nossas escolas, hospitais e cidadãos”, criticou John Mcdonnell, ministro das Finanças do gabinete da oposição trabalhista, denunciando o que chamou de “desperdício”.

A oposição não está apenas nas fileiras do Partido Trabalhista. Philip Hammond, ex-ministro das Finanças e membro do Partido Conservador, já advertiu que fará qualquer coisa para bloquear um “não acordo”.

Durante sua campanha eleitoral, Jane Dodds alertou contra um Brexit sem acordo que afetará os fazendeiros do País de Gales economicamente.

O distrito eleitoral de Brecon e Radnorshire votou 52% a favor de um divórcio com a UE no referendo sobre o Brexit em 2016, do qual Johnson foi um dos grandes artesãos.

O primeiro-ministro quer renegociar o acordo de retirada alcançado pela ex-primeira-ministra Theresa May com a União Europeia (UE). Mesmo que fracasse, afirma que o Reino Unido sairá do bloco em 31 de outubro, com ou sem consenso entre as partes.

Analistas já afirmaram, contudo, que um divórcio brusco causará traumas econômicos e uma situação de caos para os britânicos. Os parlamentares do Partido Trabalhista insistem na convocação de um novo referendo sobre o tema.

A eleição parcial desta quinta-feira aconteceu depois do impeachment do deputado conservador Chris Davies. O parlamentar foi condenado por falsas declarações de despesas e os eleitores pediram sua saída do cargo.

(Com AFP)