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Prefeito polonês morre depois de ser esfaqueado em evento beneficente

Ex-presidiário liberto em dezembro, o agressor acusa o partido de Pawel Adamowicz de torturá-lo na cadeia

Defensor dos direitos LGBT e da abertura de seu país para refugiados e imigrantes, Pawel Adamowicz, prefeito da cidade de Gdansk, na Polônia, morreu nesta segunda-feira, 14. Ele fora esfaqueado por um ex-presidiário durante um evento beneficente. 

Adamowicz foi atacado enquanto participava da Grande Orquestra da Caridade de Natal, uma arrecadação de fundos anual para a compra de equipamentos médicos para hospitais. Gravações mostram um homem gritando “Adamowicz está morto” enquanto corre para o palco do evento. Ali, apunhala a autoridade, que cai no chão.

Ainda no local do ataque, antes de ser preso, o agressor acusou o partido do prefeito de colocá-lo na prisão, onde disse ter sido torturado. Ele foi identificado como Stefan, um homem de 27 anos que foi liberado da prisão em dezembro passado, onde cumprira pena de cinco anos e meio de prisão detenção por tentativas de roubo a bancos de Gdansk em 2014. Seu nome completo foi mantido em sigilo.

“Nós não pudemos vencer”, disse o ministro da Saúde polonês, Lukasz Szumowski, durante entrevista ao canal local TVN. Médicos operaram o prefeito por cinco horas, segundo a agência estatal PAP. 

 

Psiquiatras vão investigar se o agressor pode ser responsabilizado criminalmente por suas ações, segundo o promotor Krzysztof Sierak.

Políticos de diversas orientações condenaram o ato, incluindo membros do nacionalista Partido Lei e Justiça (PiS), como o primeiro-ministro Mateusz Morawiecki e o ministro do Interior, Joachim Brudzinski. Adamowicz era abertamente crítico ao PiS.

“Expresso uma grande dor pela morte trágica causada por um ataque criminoso contra o prefeito Pawel Adamowicz. Nós expressamos solidariedade a sua família.”, disse Jaroslaw Kaczynski, líder do PiS, através do porta-voz do partido no Twitter.

Por causa do ataque, o presidente da Polônia, Andrzej Duda, se encontrará com líderes de partidos ainda nesta segunda-feira para organizar uma marcha contra violência e ódio.

Adamowicz defendia iniciativas que encorajavam imigrantes a procurar refúgio na cidade que administrava, ao norte da Polônia. Além disso, apoiava protestos contra projetos do PiS para aumentar seu controle sobre o Judiciário e outros órgãos.

O prefeito era um dos mais longevos a ocupar o cargo no país, e exercia a função em Gdansk desde 1998. Nas eleições regionais de 2018, ele venceu com 65% dos votos.

(Com Reuters)