Patriota assegura que relação Brasil-EUA se manterá sólida

Por Paul J. Richards - 9 abr 2012, 13h20

A relação do Brasil com os Estados Unidos permanecerá sólida, apesar do surgimento de novos pólos de poder no mundo, declarou o chanceler Antonio Patriota nesta segunda-feira, no início da primeira visita oficial da presidente Dilma Rousseff a Washington.

Os dois países devem também estreitar sua cooperação, acrescentou Patriota, que retomou assim o pedido feito momentos antes por sua colega americana, Hillary Clinton, com quem inaugurou um seminário binacional de empresários na Câmara do Comércio.

O Brasil é um sócio responsável dos Estados Unidos na arena internacional, mas a cooperação entre os dois países deve aumentar inevitavelmente, declarou Hillary.

O próprio crescimento econômico e estratégico apresenta desafios ao Brasil, que só pode resolvê-los com a ajuda de outras nações como os Estados Unidos, destacou a chefe da diplomacia americana.

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“O que o Brasil faz tem impacto na segurança e na estabilidade mundiais”, completou.

“Nossa região e o mundo enfrentam desafios complexos e precisamos do Brasil para resolvê-los”.

“E, paralelamente, o Brasil tem desafios complexos por seu poder crescente, que só pode resolver com a ajuda de outras nações, como os Estados Unidos”, disse.

Mas a balança comercial é amplamente deficitária para o Brasil, recordou Patriota.

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“À medida que presenciamos a transformação para um mundo mais multipolar, o Brasil presta especial atenção a todos os pólos desta nova configuração”, afirmou Patriota.

O Brasil é um dos membros fundadores e líder do G20, que é o novo fórum de liderança diplomática e econômica mundial desde a crise financeira de 2008.

O governo Rousseff mantém a mesma linha de diplomacia ativa preconizada por seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

“Mas é importante ressaltar que não privilegiamos os novos pólos emergentes em comparação com os sócios mais tradicionais” (como os Estados Unidos), enfatizou Patriota em seu discurso.

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“De fato, talvez a única vantagem comparativa do Brasil é que gostaríamos de ser um vínculo pacífico e construtivo entre todos os pólos”, explicou.

Nos anos recentes, o Brasil incomodou os Estados Unidos com suas tentativas de mediação em torno do programa nuclear iraniano, e mantém um tom crítico em relação às políticas monetárias e econômicas dos países avançados.

“Não estaremos sempre de acordo, mas na medida em que possamos enfrentar nossas diferenças construtivamente, nossa relação crescerá e nossos povos se beneficiarão”, enfatizou Hillary.

Estados Unidos e Brasil são as duas maiores democracias da região, lembrou ainda a secretária de Estado.

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“E porque somos democracias, somos especialmente obrigados a dar o exemplo”, explicou.

Ao mesmo tempo, depois da visita do presidente Barack Obama ao Brasil há um ano, ambos os países abriram três fóruns diferentes de diálogo permanente nas frente econômica, diplomática e técnica.

O Brasil sofre um importante desequilíbrio comercial com os Estados Unidos, da ordem de 11 bilhões de dólares no ano passado.

“É algo que temos de examinar muito seriamente e vamos fazê-lo”, advertiu Patriota.

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