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Papa Francisco em bênção Urbis et Orbis: ‘Só conseguiremos juntos’

Pontífice abençoa enfermos, médicos e enfermeiros e também os políticos e insiste: 'Não tenham medo'

Por Denise Chrispim Marin - Atualizado em 27 mar 2020, 18h10 - Publicado em 27 mar 2020, 16h51

Na Praça de São Pedro vazia, escura e sob chuva, o papa Francisco iniciou a oração Urbi et Orbis – para a Cidade de Roma e o Mundo – com um apelo para que as nações se unam no enfrentamento da atual “tempestade”, sua referência à pandemia do novo coronavírus, e com um conselho aos católicos para que não tenham medo e se firmem na solidariedade e na esperança. Abatido e cambaleante, lembrou que o “mundo está doente” e implorou a Deus para revigorar a fé.

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Apenas algumas pessoas acompanharam de longe, atrás das grades levantadas pela polícia de Roma, o ritual reservado para a Páscoa e o Natal, no qual o pontífice concede indulgência plenária aos fiéis que tenham se confessado, comungado e não cometido pecado mortal e dá a bênção do Santíssimo. Na sua oração final, o papa Francisco lembrou-se especialmente dos enfermos, dos médicos e enfermeiros e dos políticos. Pouco antes, mencionara todos os que trabalham neste momento – profissionais da saúde, funcionários de supermercados, voluntários, sacerdotes e outros – que, segundo ele, “compreenderam que ninguém pode ficar sozinho”. “Não tenham medo”, insistiu em vários momentos.

Para a cerimônia televisionada e transmitida pelos veículos de rádio e televisão e redes sociais do Vaticano, o papa escolheu o capítulo “A Tempestade Acalmada” do Evangelho de São Marcos (Mc 4, 35-41) que relata a travessia do Mar da Galileia em barco por Jesus e seus discípulos. Apanhados por uma tormenta, os discípulos recorrem a Jesus, que dormia tranquilamente na popa. “Mestre, não te importa que pereçamos?”, dizem-lhe. “Por que estais com tanto medo? Ainda não tendes fé?”, responde-lhes Jesus depois de acalmar os ventos.

Diante do quadro evangélico, em sintonia com estes tempos de epidemia, o papa afirmou que os instrumentos à disposição dos fieis são a oração e o serviço silencioso. Lembrou da necessidade da readaptação dos hábitos e pediu para que as pessoas deem espaço à criatividade. “Estamos em um tempo de provação, no qual temos de decidir sobre o que conta e o que passa, o que é necessário e o que não é. É o tempo de nos reajustarmos na roda da vida e de ter força de espírito para as entregas”, afirmou Francisco.

Diante do vazio da praça, o papa foi respaldado pelo cardeal Angelo Comastri, arcebispo da Basílica de São Pedro. Para a cerimônia foram trazidas a imagem de Nossa Senhora Salvação do Povo Romado, Salus Populi Romani, e o crucifixo considerado milagroso da Igreja de São Marcelo, que o papa visitara no último dia 15. Em 1522, quando Roma foi abatida por uma peste, os católicos saíram em procissão durante 15 dias pela cidade. No retorno à igreja, segundo os relatos, a epidemia havia acabado.

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