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Países liderados por mulheres responderam melhor à Covid-19, sugere estudo

Análise de 194 países, feita pelo Fórum Econômico Mundial, aponta reações 'proativas e coordenadas' de políticas como Angela Merkel como diferencial

Por Da Redação 18 ago 2020, 16h11

Uma pesquisa realizada pelo Fórum Econômico Mundial e pelo think tank Center for Economic Policy Research, chamada “Liderando a luta contra a pandemia: Gênero ‘realmente’ importa?”, em tradução livre, mostra que países governados por mulheres tiveram resultados “sistematicamente e significativamente melhores” na resposta ao coronavírus. Estabelecendo medidas rígidas de isolamento mais cedo, estes países reduziram pela metade o número de mortes em relação a nações encabeçadas por homens.

Chefes de estado como Angela Merkel, da Alemanha, Jacinda Ardern, da Nova Zelândia, Mette Frederiksen, da Dinamarca, Tsai Ing-wen, de Taiwan e Sanna Marin, da Finlândia, atraíram a atenção da mídia ao longo do primeiro semestre do ano devido ao bom exemplo na luta contra a Covid-19. Agora, a análise de 194 países sugere que a diferença pode ser real.

Segundo o Center for Economic Policy Research, o sucesso das líderes femininas “pode ser explicado pelas respostas políticas proativas e coordenadas”. Isso comprova-se mesmo com a omissão de pontos fora da curva frequentemente citados, como a Nova Zelândia e a Alemanha – e os Estados Unidos, quando considerados líderes homens para fins de comparação.

O estudo foi conduzido por duas pesquisadoras: Supriya Garikipati, economista da Universidade de Liverpool, e Uma Kambhampati, professora de economia da Universidade de Reading – as duas na Inglaterra. Diferentes respostas políticas e o total de casos e mortes pela Covid-19 até 19 de maio foram levados em conta, além de variáveis ​​como PIB, densidade populacional, população idosa e gastos anuais com saúde per capita.

“Os fatores que afetam os resultados da pandemia em vários países são provavelmente complexos. No entanto, o gênero da liderança pode muito bem ter sido fundamental no contexto atual, onde as atitudes em relação ao risco e a empatia são importantes, assim como as comunicações claras e decisivas”, escrevem as autoras.

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O estudo sugere que as mulheres tendem a adotar um estilo mais democrático e participativo e menos autocrático ou diretivo que os homens, corroborado por uma comunicação clara e direta. A primeira-ministra da Noruega, Erna Solberg, fez uma sessão pessoal de perguntas e respostas com crianças, enquanto Ardern foi elogiada por suas lives no Facebook, em que conversava e interagia com os neozelandeses.

Além disso, de acordo com a pesquisa, mulheres são mais avessas ao risco quando precisam enfrentar situações perigosas, como a atual pandemia. “Parece haver alguma evidência, portanto, de que ter aversão ao risco com relação à perda de vidas e ter um estilo de comunicação claro, empático e decisivo fez uma diferença significativa nos resultados imediatos da pandemia de Covid-19 em países liderados por mulheres”, afirmam as autoras. Lockdowns mais precoces também sugerem, por outro lado, maior disposição a assumir riscos na economia.

Como apenas 19 dos quase 200 países analisados eram liderados por mulheres, Garikipati e Kambhampati também criaram os chamados “vizinhos mais próximos”, para compensar o pequeno espaço amostral. Comparando Alemanha ao Reino Unido, Nova Zelândia à Irlanda e Bangladesh ao Paquistão, devido às populações semelhantes, as autoras revelaram que os países liderados homens tinham mais que o dobro das mortes.

“Nossas descobertas mostram que os resultados da luta contra a Covid-19 são sistemática e significativamente melhores em países liderados por mulheres”, conclui o estudo, que foi publicado em junho. As pesquisadoras disseram esperar que a pesquisa “sirva como um ponto de partida para iluminar a discussão sobre a influência dos líderes nacionais na explicação das diferenças nos resultados” da pandemia em cada país.

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