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Países latino-americanos exigem Lula livre para ser candidato

Reunido em Havana, Foro de São Paulo condena "guerra do imperialismo ianque" à revolução bolivariana e defende regimes da Venezuela e Nicarágua

Por Da Redação - Atualizado em 18 jul 2018, 16h20 - Publicado em 18 jul 2018, 14h45

O 24º Foro de São Paulo terminou nesta terça-feira 17, em Havana, com uma declaração final na qual a esquerda da América Latina e do Caribe “exigiu” a libertação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Consistente com suas mensagens nos seus 28 anos de existência, o Foro culpou o “imperialismo” dos Estados Unidos pela instabilidade política na Venezuela e na Nicarágua.

No documento final, o Foro de São Paulo considera Lula um “preso político” e reivindica seu “direito a ser candidato presidencial” nas eleições de outubro.

“Exigimos a liberdade imediata de Lula, depois de uma condenação e prisão sem provas e o direito a ser candidato presidencial nas eleições de outubro no Brasil, respeitando a vontade da maioria do povo brasileiro. Lula Livre! Lula Inocente! Lula Presidente!”, diz o texto. 

O documento final, lido em público pela secretária executiva do Foro, a brasileira Mônica Valente, foi apresentado ao final de três dias de sessões. A reunião contou com a presença de mais de 600 políticos e ativistas, entre eles os presidentes Miguel Díaz-Canel, de Cuba, ; Nicolás Maduro, da Venezuela, ; Evo Morales, da Bolívia, e Salvador Sánchez Cerén, de El Salvador.

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A esquerda latino-americana também acusou os americanos de estarem por trás dos protestos “golpistas” na Nicarágua contra o governo do sandinista Daniel Ortega, que deixaram mais de 350 mortos, assim como de promover o assassinato de líderes sociais na Colômbia e gerar instabilidade em Cuba, Bolívia e El Salvador.

“Condenamos a guerra não convencional e de amplo espectro aplicada pelo imperialismo ianque e seus aliados europeus, latino-americanos e caribenhos [que são] contra a revolução bolivariana”, destaca a declaração.

O texto também insta as forças regionais de esquerda a buscar “integração” e “reunificar esforços” para “conter e vencer a ofensiva contrarrevolucionária” dos que considera inimigos do povo: desde o capitalismo, o imperialismo e o neoliberalismo até o “sionismo internacional” e a direita, em geral.

Durante o discurso de grande parte dos líderes, o foco também se voltou ao presidente americano, Donald Trump. “Sofremos grandes feridas, planos enlouquecidos do governo [de Trump] e ameaças de ocupação militar. Cuba sabe disso. Nós não tememos nenhuma ameaça do império”, declarou Nicolás Maduro em seu discurso.

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Criado em 1990 por iniciativa de Fidel Castro e de Lula, o grupo foi concebido como um espaço de debate político para a esquerda latino-americana e reuniu-se pela primeira vez em São Paulo. Teve alta projeção nos anos 1990, como opositor das políticas liberais aplicadas em boa parte do continente, e na década seguinte, quando vários países elegeram governos de esquerda.

O Foro inclui 110 partidos políticos e organizações de esquerda de Brasil, Argentina, Aruba, Barbados, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Cuba, Curação, Equador, El Salvador, Guatemala, Haiti, Honduras, Martinica, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Trinidade e Tobago, Uruguai e Venezuela.

(Com EFE)

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