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Opositor russo Navalny está ‘gravemente doente’, diz advogada

Principal crítico do Kremlin já havia denunciado ausência de cuidados médicos desde transferência para rígido complexo prisional nos arredores de Moscou

Por Da Redação Atualizado em 6 abr 2021, 15h42 - Publicado em 6 abr 2021, 15h25

Ferrenho crítico do Kremlin e líder da oposição russa, Alexei Navalny está “gravemente doente” por uma forte tosse e febre alta, afirmou uma de suas advogadas na segunda-feira 5. A fala foi dada após ele ser testado para o novo coronavírus e transferido por sintomas da doença respiratória para uma ala prisional específica a enfermos. 

Em nota publicada na segunda-feira, Navalny chegou a afirmar que três dos quinze detentos que dividem a cela com ele estão recebendo tratamento para tuberculose. Ele já havia anunciado uma greve de fome recentemente para protestar contra o que disse ser a recusa da prisão de lhe proporcionar atendimento médico de qualidade.

“Ele perdeu muito peso e, além disso, possui forte tosse e temperatura de 38,1°C”, disse Olga Mikhailova, a advogada, à rádio Echo of Moscow. “Este homem está gravemente doente.”

Em resposta nesta terça-feira, o Kremlin afirmou em comunicado que Navalny será tratado “como qualquer outro prisioneiro” se estiver doente, mas não deu detalhes sobre a situação do opositor.

Não houve confirmação de um tratamento médico para Navalny, embora um advogado tenha especulado que havia uma enfermaria na colônia IK-2, a 60 quilômetros de Moscou, local de sua prisão. O complexo é considerado extremamente rígido e especializado em isolar os prisioneiros do mundo exterior.

Protestos

Aliados do opositor, preso em janeiro após desembarcar em Moscou, disseram que irão realizar uma série de protestos a partir desta terça-feira, 6, em frente à prisão.Alguns já chegaram inclusive a ser presos. 

Anastasia Vasilyeva, chefe da Aliança dos Médicos Russos, está entre as detidas, junto com outros três membros do sindicato médico renegado. Repórteres da CNN e do canal de televisão russo na Polônia, Belsat, também chegaram a ser presos, mas logo foram liberados.  

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“Estamos vindo aqui para oferecer ajuda. Não há guerra nenhuma aqui. Vamos resolver isso como pessoas normais”, disse Vasilyeva a jornalistas momentos antes de ser presa. 

Em sua nota, Navalny chegou a ironizar dizendo que, caso pegasse a tuberculose, as dores agudas de suas pernas e costas ficariam em segundo plano. A mídia estatal e alguns grupos de monitoramento das prisões russas afirmam que seus problemas médicos são uma mentira para atrair a atenção do público. 

“Se eu tiver tuberculose, ela expulsará a dor nas minhas costas e o entorpecimento nas minhas pernas. Isso seria bom”, disse em sua conta no Instagram.

Em meados de janeiro, o crítico foi levado sob custódia policial logo após pousar em um aeroporto de Moscou, vindo da Alemanha, onde havia sido tratado por um envenenamento quase fatal com um agente nervoso da era soviética.

O ativista, que ganhou destaque por suas investigações sobre a riqueza das elites russas, insiste que o envenenamento foi realizado por ordem do presidente Vladimir Putin. O Kremlin negou repetidamente a alegação, mas ainda não lançou uma investigação sobre o ataque.

Ele foi condenado no dia 2 de fevereiro a dois anos de 8 meses de prisão devido a um processo criminal de 2014. A Promotoria o acusou de “violar sistematicamente” as condições da pena emitida há cinco anos, defendendo que a sentença deveria ser cumprida. O opositor sempre afirmou que o caso foi “inventado” contra ele para conter suas ambições políticas.

A prisão desencadeou uma onda de protestos em toda a Rússia e uma repressão policial brutal. Os Estados Unidos e a União Europeia pediram sua libertação e, em uma ação coordenada neste mês, Washington e Bruxelas impuseram sanções a altos funcionários russos. 

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