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Obama sabia sobre programa de espionagem a Merkel, diz jornal alemão

Segundo reportagem, Keith Alexander, diretor da Agência Nacional de Segurança, informou Obama em 2010 sobre monitoramento do celular da chanceler alemã

Por Da Redação - 27 out 2013, 08h40

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi informado pela Agência Nacional de Segurança (NSA) em 2010 sobre os grampos do celular de Angela Merkel. Segundo reportagem publicada neste domingo no jornal alemão Bild am Sonntag, o americano não pediu para suspender o programa e ainda chegou a solicitar um relatório completo sobre a chanceler da Alemanha.

O jornal, que cita fontes dos serviços secretos dos Estados Unidos, revelou que Keith Alexander, diretor da NSA, informou pessoalmente Obama sobre a espionagem. A informação contradiz a versão do americano. Na quarta-feira, quando o caso foi revelado, ele disse para Merkel que não tinha conhecimento sobre os grampos.

Em entrevista ao jornal, Hans-Peter Friedrich, ministro do Interior da Alemanha, considerou que “espionar é um delito e os responsáveis devem responder por isso”. “Se os americanos grampearam telefones na Alemanha, infringiram a lei alemã em território alemão, o que representa violar nossa soberania, o que é algo inaceitável”, disse Friedrich.

Espionagem – Há meses, documentos vazados pelo ex-colaborador da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden revelaram a máquina de monitoramento montada pela inteligência americana. Nesta semana, dos arquivos de Snowden surgiram novas denúncias, entre elas a de que 35 líderes globais estiveram no radar dos americanos.

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De acordo com o jornal Bild am Sonntag, a NSA não só espionou o celular do partido de Merkel, usado por ela até julho deste ano, como chegou a grampear o telefone aparentemente seguro que ela passou a utilizar a partir do meio do ano. Ainda segundo a reportagem, as informações eram coletadas no quarto andar da embaixada americana em Berlim, onde trabalham 18 agentes da NSA, e enviada diretamente para a Casa Branca, sem passar primeiro pela central da agência em Fort Meade, no estado americano de Maryland, como costuma acontecer.

Segundo a revista semanal alemã Der Spiegel, o celular de Merkel aparece na lista de alvos da NSA desde 2002, três anos antes de ela vencer as eleições – mesmo ano em que começou a espionagem ao então chanceler, Gerhard Schroder. A revista informou que o programa foi iniciado sob o mandato do presidente George W. Bush, quando Schroder rejeitou que tropas alemãs participassem da Guerra do Iraque.

Reação – A Alemanha iniciou uma ofensiva diplomática em resposta à denúncia de que o governo dos Estados Unidos monitorou o telefone celular da chanceler Angela Merkel. Representantes de altos postos do governo da Alemanha viajarão aos Estados Unidos na próxima semana para exigir explicações da Casa Branca e da Agência de Segurança Nacional (NSA) sobre o assunto. Segundo jornais alemães, a delegação incluirá altos funcionários do serviço secreto alemão. Na quinta-feira, o ministro alemão das Relações Exteriores, Guido Westerwelle, se reuniu com o embaixador dos Estados Unidos em Berlim, John B. Emerson.

Resolução – Paralelamente, a Alemanha prepara, em conjunto com o Brasil, uma resolução da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a proteção das liberdades individuais, informaram fontes diplomáticas da organização. A resolução, que seria apresentada à Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Geral da ONU, não mencionará especificamente os Estados Unidos e buscará ampliar o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos aprovado em 1966 para que alcance também atividades on-line.

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Além da França, Alemanha e Brasil, outros países europeus, como Bélgica, Itália e Espanha, e latino-americanos, como México, também foram alvo da NSA, segundo os documentos vazados pelo ex-técnico da CIA.

A espionagem tomou boa parte das conversas dos 28 chefes de governo da União Europeia (UE) ao longo de dois dias de reunião de cúpula em Bruxelas, concluída na sexta-feira. “Não se espiona os amigos”, disse Merkel em Bruxelas, indignada.

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(Com EFE)

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