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Obama oferece novo começo nas relações com Mianmar

O presidente Barack Obama ofereceu a Mianmar uma nova era nas relações entre os países, caso sejam realizadas reformas, e prometeu ao ícone da democracia, Aung San Suu Kyi, seu apoio eterno, em uma carta entregue em mãos pela secretária de Estado, Hillary Clinton, nesta quinta-feira.

A intervenção pessoal de alto risco em um país, há muito tempo visto pelo Ocidente como um estado pária, veio durante a histórica visita de Hillary Clinton, a primeira Secretária de Estado dos EUA a visitar esta isolada nação em 50 anos.

Na mensagem para o presidente Thein Sein, Obama ofereceu uma nova fase nos laços entre os países e pediu resultados tangíveis de um esforço de reformas políticas que Washington está testando antes de decidir seu próximo passo.

Obama também agradeceu a Suu Kyi pela inspiração para pessoas de todo o mundo em uma carta à parte para a vencedora do Prêmio Nobel da Paz.

O país antigamente chamado de Birmânia surpreendeu os observadores com uma série de ações reformistas no ano passado, incluindo a libertação de Suu Kyi – com quem Hillary se reuniu nesta quinta-feira, para um jantar privado na cidade de Yangun – estabelecendo o diálogo com a oposição e libertando alguns prisioneiros políticos.

Obama disse a Thein Stein, um ex-general, que Washington queria “explorar como os Estados Unidos podem apoiar e avançar em seus esforços para a transição para a democracia e promover a proteção aos direitos humanos”.

Autoridades americanas disseram que a mensagem, divulgada por assessores de Clinton, visava sinalizar que Obama estava pronto para investir seu prestígio pessoal em comprometer-se com Mianmar.

A carta não menciona as palavras Mianmar ou Birmânia, ignorando assim a controvérsia sobre o verdadeiro nome do pobre Estado do Sudeste Asiático. A antiga junta militar rebatizou o nome do país para Mianmar em 1989, mas os Estados Unidos ainda usam Birmânia, em uma prática que aborrece os generais, que cederam a um governo nominalmente civil ano passado.

Em sua carta a Suu Kyi, Obama disse que admira há muito tempo a “coragem e a luta constante pela democracia” da líder da oposição. Ele escreveu: “Obrigado pela inspiração que você oferece a todos nós ao redor do mundo que partilha os valores da democracia, dos direitos humanos e da justiça. Nós estaremos ao seu lado agora e sempre”.

A oposição de Suu Kyi, que boicotou as eleições ano passado, levando às reformas, planeja disputar as eleições do próximo ano, consideradas um grande teste do novo clima político.

Obama anunciou que enviaria Hillary Clinton para testar as mudanças em Mianmar duas semanas atrás, durante uma visita a Ásia, em um dos gestos mais significativos em relação ao país em muitos anos.

Em suas negociações históricas, Hillary recebeu promessas de mais reformas de Thein Sein e ofereceu cuidadosos incentivos para encorajar novas ações, dizendo que é preciso fazer mais para que as sanções dos EUA serem suspensas.

“Qualquer medida adotada pelo governo será cuidadosamente examinada e (…) equiparada, porque nós queremos que as reformas políticas e econômicas perdurem”, disse aos jornalistas em Naypyidaw, a isolada capital birmanesa.

Then Sein, que chegou ao poder em março depois que Mianmar pôs fim, em tese, a décadas de governo militar, comemorou um “novo capítulo nas relações”, ao se reunir com a secretária de Estado em seu imponente palácio decorado com lustres e cadeiras folheadas a ouro.

Hillary também pediu que Mianmar integre como observador a Lower Mekong Initiative, um programa americano de cooperação sobre saúde e meio ambiente no sudeste asiático e declarou apoio às missões do FMI no país.

“Trata-se de etapas progressivas, e nós estamos dispostos a ir mais longe se as reformas mantiverem seu ritmo. Neste espírito, estamos discutindo o que conduzirá ao aumento de nossas relações diplomáticas e a trocar embaixadores”, declarou Hillary à imprensa.

Hillary pediu que Mianmar liberte todos os prisioneiros políticos, que segundo estimativas de ativistas são entre 500 e mais de 1600, e pressionou o governo para por fim a conflitos étnicos de longa data.