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Número de mortos em ataque em Nairóbi chega a 59

Atentado praticado em shopping pelo grupo terrorista Al Shabab, ligado à rede Al Qaeda, deixou ainda mais de 165 feridos que seguem hospitalizados

Atualizado às 6h25

O número de mortos no ataque ao shopping Westgate, que voltou transformar Nairóbi em alvo de terroristas neste sábado, subiu para pelo menos 59. A informação foi confirmada neste domingo pelo ministro de Governo do Quênia, Joseph Ole Lenku – o balanço oficial da véspera contava 39 pessoas mortas. Além disso, há mais de 165 feridos ainda hospitalizados, relata a rede americana CNN.

A maior parte dos mortos é de quenianos, mas há estrangeiros entre as vítimas, entre eles duas francesas e dois canadenses – um deles, diplomata. O Departamento de Estado dos EUA anunciou “vários americanos” entre os feridos, mas não quis dar mais detalhes – são ao menos quatro cidadãos dos Estados Unidos, afirmam as agências internacionais.

Enquanto ainda contabiliza o número de óbitos e de feridos, o governo queniano segue tentanto controlar a crise, que ainda não terminou. Depois de emitir um comunicado no qual apontava ao menos 36 reféns mantidos no prédio pelos terroristas, a polícia queniana afirmou que não sabe ao certo quantas pessoas ainda estão sob a mira dos radicais. Tanques do Exército foram usados para cercar o shopping, e o impasse segue sem previsão de fim.

Elite – Frequentado por turistas, diplomatas estrangeiros e a elite queniana, o shopping center Westgate foi invadido na manhã de sábado por homens armados, que abriram fogo contra o público e transformaram o prédio em uma zona de guerra. O tiroteio aumetou após o ataque inicial, com a resposta do Exército queniano. Durante horas, era possível ouvir o barulho da troca de tiros.

Após o ataque, o grupo terrorista Al Shabab assumiu a autoria do atentado e disse, via Twitter, que o Quênia havia recebido repetidos avisos para retirar suas tropas da Somália sob pena de sofrer “consequências graves”. “O governo queniano, no entanto, se fez de surdo às nossas repetidas advertências e continuou a massacrar inocentes muçulmanos na Somália”, disse o grupo em seu Twitter oficial, @ HSM_Press. “O ataque no Westgate Mall é apenas uma pequena fração do que os muçulmanos na Somália passam nas mãos dos invasores quenianos”, disseram os militantes.

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O grupo afirmou ainda, também pelo Twitter, que seus militantes escoltaram os muçulmanos para fora do prédio antes de começar o massacre. A declaração corrobora o depoimento de uma sobrevivente que disse a jornalistas que os homens armados ordenaram que todos os muçulmanos deixassem o local antes de iniciar o fuzilamento.

Histórico – Antes do surgimento do grupo Al Shabab, ligado à Al Qaeda, o Quênia já foi alvo de atentados terroristas, como o bombardeio à embaixada americana em Nairóbi em 1998, que foi planejado para marcar o oitavo ano da presença das forças armadas americanas na Arábia Saudita, e os ataques coordenados contra um hotel cujo dono é de origem israelense e contra um avião de Israel em 2002. No entanto, o país tem sofrido mais ataques depois de invadir a Somália em outubro de 2011, com o objetivo de ajudar a combater os terroristas do Al Shabab junto aos EUA, França e Etiópia.

Desde 2011, uma série de pequenos ataques contra igrejas, bares, shoppings e instalações militares sacodem o Quênia. O primeiro aconteceu em 24 de outubro de 2011, quando uma granada foi jogada contra um bar em Nairóbi, matando uma pessoa e ferindo 20. No mesmo dia, uma granada foi lançada contra um carro em um terminal de ônibus em Machakos, matando cinco. Em março de 2012, um novo ataque contra um terminal de ônibus deixou seis mortos e 60 feridos. O maior ataque realizado no ano passado, no entanto, foi contra duas igrejas em Garissa, em julho, quando homens mascarados mataram 17 pessoas.