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Netanyahu chama acusações de corrupção de ‘tentativa de golpe’

Em declaração, o premiê israelense diz que indiciamento é 'contaminado por considerações irrelevantes' que querem 'derrubar um primeiro-ministro de direita'

Por Da Redação - 21 nov 2019, 17h29

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, defendeu-se das acusações de corrupção taxando-as de “tentativa de golpe”. Após ser indiciado por suborno, fraude e quebra de confiança pela procuradoria-geral, declarou à imprensa nesta quinta-feira, 21, que o processo tem como objetivo derrubá-lo do posto.

Netanyahu foi indiciado por envolvimento em três casos. Em dois deles é acusado de ter trocado favores por coberturas favoráveis na imprensa local, e no terceiro de ter recebido presentes no valor de 700.000 shekels (cerca de 853.000 reais) de um produtor de Hollywood. 

Em uma declaração televisionada, o premiê disse que, embora respeite as autoridades judiciais de Israel, “você teria que ser cego para não enxergar que tem algo de errado com a polícia e a promotoria, porque hoje à noite estamos testemunhando uma tentativa de golpe do governo contra o primeiro-ministro através de ‘libelos de sangue’ e um processo de investigação tendencioso”, reporta o jornal israelense Haaretz.

Com “libelos de sangue”, Netanyahu refere-se à acusação histórica de que o povo judeu sacrificava crianças cristãs para usar seu sangue em rituais religiosos, um dos motivos da perseguição de judeus na Europa.

Além disso, o líder israelense enfatizou que o momento da acusação foi calculado, devido à instabilidade política no país, que vive um impasse eleitoral. No momento, nenhum dos líderes que recebeu mais votos nas últimas eleições foi capaz de formar um governo. Segundo ele, isso “destaca o quanto a decisão é contaminada por considerações irrelevantes, com o objetivo de derrubar um primeiro-ministro de direita”.

Segundo o Haaretz, ele ainda completou que é a favor de um mercado e imprensa livres, e que acredita em um Estado de Israel forte, “não em um país pequeno e fraco que se inclina para os outros.”

“Não permitirei que as mentiras vençam”, disse ele. “Continuarei a liderar este país, de acordo com a lei.”

As acusações, feitas também nesta quinta-feira pelo procurador-geral Avichai Mendelblit, são referentes a três notórios casos de corrupção no país: os Casos 4000, 2000 e 1000. A decisão ocorre após uma audiência de quatro dias com a equipe de defesa de Netanyahu em outubro, seguida por semanas de discussão nos escritórios do procurador-geral.

É a primeira vez que alguém no cargo de premiê é acusado de suborno. A situação inédita na história do país faz com que os sistemas legais e políticos de Israel invadam um território desconhecido, e ainda não é claro se Netanyahu poderia obter imunidade caso vencesse uma nova eleição.

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