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Motim policial prossegue na Bolívia em quinto dia de protestos

Policiais de baixa patente tomaram nesta segunda-feira de maneira pacífica o comando regional do departamento de Santa Cruz (leste), no quinto dia de protestos por demandas salariais que prosseguem em várias cidades da Bolívia.

“Rejeitamos o acordo (assinado pelo governo e pelos líderes sindicais no domingo) e vamos seguir com nossas exigências, estamos esperando que o governo escute nossas legítimas demandas”, afirmou o sargento Omar Huayllani, líder dos suboficiais da cidade de Santa Cruz, 900 km ao leste de La Paz, ao tomar o comando regional.

Os dois sindicatos de policiais, de suboficiais e de esposas assinaram no domingo um acordo com o governo para elevar os salários mensais em 220 bolivianos (32 dólares), mas depois o entendimento foi rejeitado por suas bases, que exigem um salário mínimo de 2.000 bolivianos (287 dólares).

Os policiais mantêm o motim na Unidade Tática de Operações Especiais (UTOP, antimotins), o quartel-general dos revoltosos a meia quadra da praça de armas de La Paz, onde se encontram os gabinetes do presidente Evo Morales.

O movimento dos agentes já não conta com seus dirigentes, que foram acusados de trair as demandas do setor com a assinatura do acordo.

No entanto, o chefe nacional da Polícia, o coronel Víctor Maldonado, disse na noite de domingo que, após o acordo assinado, “as unidades policiais estão voltando à normalidade”, embora as medidas persistam em Cochabamba (centro), Trinidad (nordeste), Sucre (sudeste) e Tarija (sul). A situação ainda era confusa em Oruro (sul) e Potosí (sudoeste).

“Que é isso de tomar instituições, de sair e mostrar suas armas?”, perguntou o vice-ministro do Interior, Jorge Pérez, entrevistado nesta segunda-feira pelo canal privado de televisão PAT, e convidou “os policiais a retomar seus trabalhos”.

Os sargentos e cabos esperam reorganizar sua liderança, com delegados de base de todo o país, para voltar a tentar dialogar.

O governo insistiu nos últimos dias na teoria de um golpe de Estado da direita por trás dos protestos dos policiais.