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Moradores de Praga celebram fim da quarentena em jantar de 2.000 pessoas

A média semanal de novos casos por dia quase quadruplicou nas últimas duas semanas de junho, estima o jornal The New York Times

Por Caio Mattos - Atualizado em 1 jul 2020, 16h43 - Publicado em 1 jul 2020, 16h32

Cerca de 2.000 pessoas se reuniram em uma mesa de 500 metros de comprimento montada temporariamente na ponte medieval Karlův, em Praga, capital da República Tcheca, no final da terça-feira, 30, para se despedir da maioria das medidas de isolamento social que ainda estavam em vigor no país para conter a disseminação da Covid-19.

“A ponte é uma boa metáfora, pessoas diferentes podem se reunir”, disse Ondřej Kobza, proprietário de um café local que ajudou a organizar o evento. As refeições e as bebidas foram trazidas pelos próprios convidados.

Dentre as medidas revogadas na terça-feira, estava a proibição do funcionamento de pubs e restaurantes entre as 23h e 6h.

O processo de retomada das atividades não essenciais na República Tcheca já tinha sido iniciado no começo de abril, com a retomadas dos mercados ao ar livre, das aulas nas universidades embora apenas para alunos em último ano de estudos e a abertura das concessionárias de carro, dentre outros estabelecimentos.

Segundo o site oficial do governo tcheco, eventos massivos envolvendo até 2.500 pessoas já eram permitidos desde 15 de junho.

Além da reabertura integral dos pubs e restaurantes, os cidadãos tchecos não são mais obrigados a usar máscaras em todos os ambientes fechados.

O uso de máscaras em ambientes abertos medida implementada na República Tcheca em março e antes de qualquer outro país no mundo, segundo o jornal The Guardian — já havia sido revogada no final de maio.

O equipamento de proteção ainda será obrigatório, porém, apenas no metrô de Praga, em estabelecimentos médicos e no nordeste do país, região da Morávia-Silésia, onde dois surtos eclodiram recentemente nas cidades de Karvina e de Frýdek-Místek.

‘Fim’ dos surtos

As imagens do evento comprovam que o jantar foi, como reportou o Guardian, “marcado pela falta do distanciamento social”. Em contraste ao otimismo tcheco, a Organização Mundial da Saúde (OMS) retomou no início desta semana seu apelo por mais adesão às medidas de controle da disseminação da Covid-19.

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“Embora muitos países tenham realizado algum progresso, a pandemia está, na verdade, acelerando globalmente. Todos queremos continuar com nossas vidas, mas a dura realidade é que [a pandemia] não está nem perto de acabar”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, na segunda-feira 29.

“Precisamos de mais resiliência, paciência, humildade e generosidade para os próximos meses”, acrescentou.

A República Tcheca tem apenas 10,6 milhões de habitantes, uma população menor do que a cidade de São Paulo, e reportou, até esta quarta-feira, 1, cerca de 12.000 casos da Covid-19 e 350 mortes, segundo estimativa do jornal The New York Times.

Proporcionalmente, os tchecos registraram cerca de 113 contaminados para cada 100.000 habitantes, índice muito inferior ao do Brasil (669) e semelhante ao da Finlândia (131) e ao da Argentina (145), países considerados exemplos no combate a pandemia.

O Times ressalva que a média semanal de novos casos por dia quase quadruplicou nas últimas duas semanas de junho. Entre 24 e 30 de junho, a República Tcheca reportou em média 186 novos enfermos por dia.

Em comparação, a vizinha Áustria, que é também considerada um exemplo no combate à pandemia e tem cerca da mesma população da República Tcheca, foram reportados em média apenas 51 novos casos da Covid-19 por dia entre 24 e 30 de junho.

Estrangeiros

Estão permitidos de entrar na República Tcheca apenas cidadãos da União Europeia ou estrangeiros com status de residente de longa duração em um país da União Europeia que visem a trabalhar, empreender, visitar parentes ou estudar em uma universidade.

A depender do país de onde o viajante partiu, ainda é preciso apresentar um teste da Covid-19 negativo.

(Com Reuters)

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