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Mauricio Macri vai pedir uma nova investigação sobre a morte de Alberto Nisman

O presidente eleito na Argentina quer passar a limpo alguns dos episódios mais obscuros da história do país, entre os quais o atentado terrorista contra a sede da Amia, o assassinato do procurador do caso e as negociações secretas entre o governo de Cristina Kirchner e o Irã

Por Da Redação 3 dez 2015, 20h23

Entre a mudanças que serão empreendidas por Mauricio Macri, que assumirá no próximo dia 10 a presidência da Argentina, está a redefinição da condução das investigações sobre a morte do procurador Alberto Nisman, cujo corpo foi encontrado em seu apartamento em janeiro deste ano. Macri estabeleceu como meta uma revisão dos procedimentos adotados na apuração da morte de Nisman, que era o titular de uma procuradoria especial que investigava o atentado terrorista contra a sede da Associação Mutual Israelita da Argentina (Amia). Oficialmente, Alberto Nisman teria se matado com um tiro na cabeça quatro dias depois de apresentar uma denúncia contra a presidente Cristina Kirchner e o chanceler Hector Timmerman. O procurador acusou a dupla de tentar encobrir a participação de autoridades iranianas no atentado.

Em uma das primeiras manifestações depois da confirmação do resultado das eleições, Macri afirmou que enviará ao Congresso um projeto de lei para revogar o Memorando firmado com Irã, que previa um revisão nas investigações do atentado. Segundo Nisman, o acordo bilateral foi desenhado por meio de uma “diplomacia” paralela em que os governos da Argentina e do Irã condicionaram temas comerciais à suspensão das investigações.

A futura ministra da Segurança, Patrícia Bullrich, era uma das parlamentares mais próximas de Nisman. Seu nome é visto com preocupação nos círculos kirchneristas, pois ela jamais escondeu sua descrença na investigação e nas versões oficiais a respeito da morte do procurador. Apesar de todas as evidências apontarem para um homicídio, o governo argentino sustenta a tese de suicídio.

Patricia, que foi a deputada mais votada na última eleição, era quem receberia Nisman no Congresso para que fossem apresentadas suas justificativas para o indiciamento da presidente e do ministro das Relações Exteriores. Uma das mais importantes líderes da oposição aos governos kirchneristas, ela terá papel fundamental na recondução das investigações.

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Além da indicação de Patricia Bullrich, o presidente Macri também promoverá mudanças na Procuradoria Geral da República e na Secretaria de Inteligência (Side). Ele pediu a renúncia da procuradora-geral Alejandra Gils Carbó e do chefes dos espiões, Fernando Porcino, ambos féis seguidores do kirchnerismo.

Fontes do Ministério Público afirmam que a mudança de rumo deverá ser mais ampla. Além de uma investigação séria sobre a morte de Alberto Nisman, os procuradores esperam que as denúncias apresentadas por ele sejam reconsideradas e possam vir a ser reabertas.

Além disso, os procuradores afirmam que terão independência suficiente para apurar revelações publicadas por VEJA em março deste ano. Segundo ex-chavistas que estão exilados nos Estados Unidos, o Irã negociou, por meio da Venezuela, acesso aso segredos nucleares argentinos para serem aplicados em seu programa nuclear clandestino. Para eles, a eleição de Macri, a nomeação de Patricia Bullrich e a troca do comando do Ministério Público é uma chance de a Argentina se reconciliar com a verdade.

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