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Marroquinas são presas por terem usado vestidos ‘justos demais’

Cerca de 500 advogados se apresentaram para defender as mulheres, que podem pegar até dois anos de prisão

Duas cabelereiras, de 23 e 29 anos, estão sendo processadas por atentado violento ao pudor por usarem vestidos não tradicionais durante um passeio em um mercado do Marrocos. Os nomes das vítimas são mantidos em sigilo. Após a divulgação do incidente na segunda-feria, cerca de 500 advogados se mobilizaram para defender as marroquinas, que podem pegar até dois anos de prisão. Os defensores alegam que a detenção viola os direitos e a liberdade das mulheres. O veredito será dado na próxima segunda-feira, dia 13.

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No mês passado, as moças foram perseguidas por um grupo de comerciantes quando caminhavam em um souq, tradicional mercado do Oriente Médio, na cidade de Agadir. Por questões de segurança, elas foram levadas a uma delegacia, mas os policiais as obrigaram a passar a noite na cadeia e processaram a dupla por “ofender as morais públicas” ao sair em público com roupas “justas demais”, de acordo com o relatório policial.

Embora não haja imagens das peças de roupa que motivaram as prisões, dezenas de mulheres protestaram em apoio às cabelereiras usando vestidos sem manga, na altura dos joelhos. De modo geral, nos países muçulmanos, as moradoras de pequenas cidades costumam frequentar os souqs vestindo roupas que cobrem braços e pernas.

O caso provocou uma forte reação pública no Marrocos, dividido entre a maioria conservadora e a parte mais liberal da sociedade, com uma relativa abertura nas tradições do país. Nas cidades litorâneas, caso de Agadir, os choques culturais costumam ser maiores por causa da presença de turistas.

(Da redação)