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Manifestantes pedem a renúncia do governo em Manama

Já em várias cidades do Iraque, forças de segurança dispersaram protestos

Cerca de 80.000 pessoas saíram às ruas de Manama, capital do Barein, nesta sexta-feira para pedir a renúncia do governo. A manifestação ocorre um dia depois de confrontos entre xiitas e sunitas no sul da cidade terem deixado oito feridos.

Os manifestantes gritavam palavras de ordem como “O povo quer a queda do regime” e também pediram paz. A passeata se deslocou da antiga sede do Conselho de Ministros até a emblemática praça Pérola, epicentro dos protestos. No caminho, a multidão passou pela frente do coração financeiro do Barein, sede de algumas das principais instituições financeiras da ilha.

Exigências – Durante o protesto, os manifestantes pediram uma nova Constituição que substitua a promulgada em 2002. Essa é uma das exigências dos seis principais grupos opositores, que na última quinta-feira publicaram uma carta dirigida ao príncipe herdeiro do Barein, xeque Salman bin Hamad al-Khalifa, para iniciar um diálogo nacional.

Outras de suas reivindicações para iniciar as conversas são que o governo atual renuncie e seja eleito um novo nas urnas e que o poder legislativo seja exercido por um Parlamento votado pelo povo. Em comunicado divulgado nesta sexta-feira, os organizadores da manifestação, batizada como “Dia da Queda do Governo”, declararam que decidiram sair às ruas para denunciar o Executivo “ditatorial, injusto e corrupto”.

Na nota, nove grupos opositores, entre eles o Al Wifaq, principal partido da oposição, enumeraram 12 motivos pelos quais criticam o gabinete atual. Entre essas razões estão as violações dos direitos humanos desde a década de 1970, o enriquecimento ilícito das autoridades, a ocultação das despesas da família real e a discriminação de cidadãos.

Resposta – Em uma tentativa de sufocar os protestos populares, iniciados em 14 de fevereiro, o rei do Barein, Hamad bin Issa al-Khalifa, remodelou o governo no último fim de semana, o que provocou a saída de algumas figuras controversas e a atribuição de novas funções a ministros que já faziam parte do gabinete. Contudo, a reforma ministerial foi qualificada como insuficiente pela oposição.

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Iraque – Milhares de pessoas também se manifestaram nesta sexta-feira em diversas cidades do Iraque contra as más condições dos serviços públicos, a corrupção, o desemprego e a incompetência de seus dirigentes. Cerca de 2.000 manifestantes dirigiram-se à Praça Tahrir de Bagdá, enquanto outros 1.500 se reuniram na cidade de Mossul e 1.000 nas cidades do sul, como Nassíria e Basra. Nesta última, policiais usaram jatos de água para dispersar os opositores.

As manifestações foram significativamente menores que as que ocorreram há uma semana em mais de uma dúzia de cidades iraquianas, e que levaram o primeiro-ministro Nuri al-Maliki a dar ao seu gabinete um prazo para se reorganizar ou sair do poder.

Os protestos foram combinados parcialmente na rede social Facebook, e acontecem quase um ano após as eleições parlamentares no país. O governo só foi formado mais de nove meses após o pleito e diversos cargos permanecem vazios.

Histórico – Em 25 de fevereiro, iraquianos tomaram as ruas de 17 cidades. Pelo menos 17 pessoas foram mortas e mais de 130 feridas em confrontos. Os protestos levaram à demissão de quatro autoridades importantes – três governadores das províncias do sul e o prefeito de Bagdá. Além disso, Maliki disse aos ministros que eles seriam avaliados sobre o seu desempenho nos próximos 100 dias.

(Com agência France-Presse)