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Mais de 270 mil sírios são deslocados pelos conflitos dos últimos 15 dias

Refugiados buscam as fronteiras com Israel e Jordânia, mas ambos os países não querem acolhê-los; Acnur alerta para nova catástrofe humanitária

Por Da Redação - Atualizado em 2 jul 2018, 18h27 - Publicado em 2 jul 2018, 17h52

Diante na nova escalada de confrontos no sudoeste da Síria nas últimas duas semanas, cerca de 270 mil moradores fugiram da região, segundo o escritório da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) na Jordânia. Até a semana passada, eram 160 mil pessoas deslocadas pelos bombardeios pesados e à procura de abrigo nas Colinas de Golã, ocupadas por Israel, e nas áreas próximas da jordaniana.

“Nossa atualização mais recente mostra que a cifra de deslocados no sul da Síria ultrapassou 270 mil pessoas”, disse Mohammad Hawari, porta-voz da Acnur na Jordânia, para completar que esse total foi bem maior do que os 200 mil esperados inicialmente.

A Acnur alertou para a catástrofe humanitária causada pela nova ofensiva do Exército sírio, apoiada pela Rússia, para recapturar o Sul do país, ainda controlado pelos rebeldes. A ofensiva se arrasta por mais de duas semanas. Segundo a rede americana de televisão CNN, somente na última sexta-feira, 200 pessoas foram mortas durante uma ofensiva e outras 120 mil haviam fugido.

A Acnur estima que 6,2 milhões de sírios foram deslocados dentro do país desde o início do conflito, em 2011. Outros 6,3 milhões deixaram a Síria e solicitaram refúgio em outros países, sobretudo os vizinhos Líbano, Turquia e Jordânia. Desta vez, tanto a Jordânia, que recebeu 1,3 milhão de sírios deslocados desde o início da guerra, como Israel disseram que não abrirão suas fronteiras aos novos refugiados sírios.

Depois de uma reunião com autoridades das Nações Unidas, o ministro de Relações Exteriores jordaniano, Ayman Safadi, disse aos repórteres nesta segunda-feira (2) que novas remessas de ajuda estão à espera de autorizações para serem enviadas à Síria pela divisa de seu país. A capacidade de Amã gerir essa situação, segundo Safadi, teria chegado ao limite.

A organização não-governamental Anistia Internacional fez um apelo ao governo da Jordânia para abrir suas fronteiras, a começar para os refugiados doentes e feridos, segundo a CNN.
“Os moradores de Daraa estão presos em uma armadilha. Muitos dos deslocados estão vivendo em tendas improvisadas debaixo de um calor escaldante e sem comida suficiente, água ou assistência médica, e sob o medo constante de estarem expostos a ataques vindos de qualquer ponto”, afirmou Lynn Maalouf, diretor de pesquisa em Oriente Médio da Anistia Internacional.
O Exército sírio declarou na última sexta-feira “não poder permitir que sírios em fuga dos conflitos entrem em Israel”. O país vizinho, inimigo há 70 anos da Síria, não recebe refugiados desse país, com exceção dos que precisam de tratamento médico. Israel, porém, enviou quatro comboios de ajuda aos sírios deslocados para Golã, segundo as Forças de Defesa de Israel.
(Com Reuters)
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